NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS
O chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, demonstrou cautela nesta segunda-feira (26) com a disparada do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse ser preciso aguardar mais tempo para projetar potenciais impactos sobre as contas externas do Brasil.
“É muito cedo para afirmar algum impacto hoje, às 11 horas de segunda-feira, tão pouco tempo depois do resultado das eleições de ontem [domingo]. A gente tem que esperar mais tempo para ver qual tende a ser a reação mais definitiva do mercado financeiro na interação com outros fatores, de políticas governamentais e dados da atividade econômica”, disse.
A declaração foi dada por Rocha a jornalistas na apresentação dos dados das transações correntes o Brasil registrou o menor saldo em dois anos, com déficit de 2,33% do PIB (Produto Interno Bruto) no acumulado de 12 meses até setembro.
Na manhã desta segunda, às 10h14, o dólar disparava 11,77%, a R$ 5,584, em movimento mais intenso que no exterior. No último pregão, na sexta-feira (23), a moeda norte-americana fechou em queda de 0,96%, cotada a R$ 4,989.
A cotação do dólar retomou patamares registrados em janeiro, quando chegou a R$ 5,48. Desde então, o real vinha se valorizando diante da aposta do mercado financeiro na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). No acumulado desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio à Presidência, em agosto, o dólar recuou cerca de 2%.
Após os ativos brasileiros apresentarem forte queda, a B3 acionou o chamado circuit breaker mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.
“Uma parte dessa depreciação pode ser devolvida, outra parte pode ficar permanente, a devolução pode ser integral. Então, na verdade, a gente não deve esperar do balanço de pagamentos do Brasil como um todo uma reação instantânea a essa mudança mais brusca de uma determinada variável”, afirmou Rocha.
No fim da manhã, o BC vendeu todos os 75 mil contratos de swap cambial ofertados em leilão para rolagem dos contratos com vencimento em 3 de novembro. Na prática, a operação que já estava programada injetou US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólares, com montante dividido em dois vencimentos.
Para o vencimento de 3 de janeiro de 2027, foram aceitas duas propostas, totalizando 50 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 2,5 bilhões. Para o vencimento de 1º de fevereiro de 2027, foi aceita uma única proposta de 25 mil contratos, somando US$ 1,25 bilhão.
A operação ajudou a disparada do dólar a perder fôlego. Às 13h42, a moeda norte-americana avançava 8,72%, a R$ 5,425.
Os economistas consultados pelo Banco Central tinham ajustado para baixo suas projeções para o câmbio, conforme o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26). As respostas, contudo, tinham sido fornecidas antes do resultado eleitoral.
Para o câmbio, os agentes enxergavam o dólar cotado a R$ 5,05 ao fim deste ano, ante R$ 5,13 na semana passada, e para o ano que vem a estimativa é de R$ 5,15, ante R$ 5,22.
BC diz ser muito cedo para prever impacto de disparada do dólar após reeleição de Lula
Moeda americana disparou 11,77% na manhã desta segunda-feira, enquanto B3 acionou mecanismo que interrompe negociações após queda do Ibovespa
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil