O Brasil passa por um novo ciclo de crescimento econômico, mas essa retomada tem sido acompanhada pelo recrudescimento das pressões inflacionárias, informa o Boletim Regional, divulgado hoje (11) pelo Banco Central.
“A trajetória recente dos principais indicadores regionais ratificou a consolidação do início de novo ciclo de crescimento na economia brasileira”, diz o boletim.
O documento enfatiza que o crescimento econômico é sustentado pelo “desempenho da demanda interna e, em menor escala, pelos impactos favoráveis da retomada gradual da atividade econômica mundial”.
Entretanto, diz o boletim, a retomada ocorre em intensidade distinta nas regiões do país, “evolução consistente com as especificidades das estruturas das respectivas indústrias e com a representatividade da demanda interna na composição da renda disponível”.
Segundo o BC, em todas as regiões do país a retomada econômica tem sido acompanhada por recrudescimento das pressões inflacionárias, em particular no Norte e Centro-Oeste.
“[Esse processo] requer atitude vigilante por parte da autoridade monetária, visto que pode sinalizar tendência de desvio em relação à trajetória de metas por parte do índice agregado”.
A meta de inflação para este ano, com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No Norte, informa o documento, a recuperação segue evidenciando o aumento de dinamismo nas atividades varejista e industrial.
“O processo de recuperação da economia deverá seguir sustentado, nos próximos meses, pelo impacto do fortalecimento do mercado interno sobre o dinamismo das vendas e da indústria da região”.
O estudo do BC destaca que na economia nordestina as perspectivas de crescimento para 2010 consideram a expansão da massa salarial e das transferências governamentais (como Bolsa Família, por exemplo) e os impactos favoráveis da continuidade dos investimentos públicos, sobretudo em infraestrutura, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo o documento, o Centro-Oeste ainda sofre com a redução das exportações, efeito da crise financeira internacional. A região conta com “expressiva” participação do agronegócio nas exportações.
Apesar disso, “o dinamismo do agronegócio e do setor de serviços deverá seguir determinante, em 2010, para a sustentação da economia da região, com ênfase nas perspectivas de crescimento na produção de soja e de retomada de projetos de investimentos no setor sucroalcooleiro”.
No Sudeste, a análise é de recuperação da atividade industrial, com ampliação das vendas no comércio e geração de empregos.
Em 2010, a expectativa de é continuidade do crescimento da indústria, retomado no segundo semestre de 2009, “em especial em setores que registram patamar de produção deprimido, como o complexo metal-mecânico, que detém participação expressiva na estrutura do setor”.
No Sul, a retomada da atividade econômica vem sendo sustentada pelo desempenho da indústria e do varejo. “A evolução da economia da região em 2010 deverá se beneficiar dos impactos favoráveis do fortalecimento do mercado interno sobre as vendas do comércio e sobre o processo de recuperação da indústria”.