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Economia

Banco ligado a Edir Macedo em risco de liquidação por dívida

Instituição financeira tem prazo para saldar R$ 2 bilhões e evitar encerramento

Redação Jornal de Brasília

28/08/2026 18h29

banco digimais

Foto: Reprodução

O Digimais, banco controlado por empresas ligadas ao bispo Edir Macedo, ganhou até 15 de setembro para realizar um aporte de R$ 2 bilhões, medida necessária para evitar a liquidação da instituição e manter de pé a negociação de venda ao BTG Pactual. O Banco Central acompanha a crise financeira do banco, que é alvo de investigação da Polícia Federal.

O aporte estava previsto inicialmente para 14 de agosto, mas o Digimais não cumpriu o prazo. A capitalização busca recompor o patrimônio da instituição, que enfrenta perdas associadas a operações de crédito sob questionamento e deterioração de seus indicadores financeiros.

A Polícia Federal e o Banco Central apuram suspeitas de gestão fraudulenta, superavaliação de ativos e inserção de dados falsos em demonstrações contábeis. A Operação Miragem, deflagrada em junho, investiga um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões, teve sigilo bancário e fiscal quebrados de executivos e resultou no bloqueio de R$ 670 milhões em bens e valores pela Justiça.

O Digimais mantinha cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025. Na representação que embasou a operação, a Polícia Federal afirmou que o banco adotou práticas “estreitamente análogas às do extinto Banco Master”.

O BTG confirmou em abril um acordo para comprar o Digimais, mas a transação ainda depende de aprovação dos órgãos reguladores e de tratativas com outros interessados. Em negociações iniciais, o valor necessário para cobrir o déficit chegou a R$ 7 bilhões, diante de créditos sem lastro e inconsistências contábeis sob apuração.

O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, afirmou que a capitalização será necessária para recompor o patrimônio líquido do banco à medida que fundos reconheçam o valor dos ativos problemáticos, incluindo operações em atraso. Sem o novo aporte, a venda ao BTG e a continuidade do Digimais ficam em risco.

Segundo informações, a TV Record tende a bancar a maior parte dos R$ 2 bilhões, com outra parcela vinda de recursos da Igreja Universal. O grupo já havia injetado R$ 2 bilhões no banco em 2022 e transferiu mais R$ 250 milhões em dezembro de 2025, quantia que não cobriu o déficit.

Em áudio divulgado nas redes sociais, Macedo negou responsabilidade por irregularidades no banco. “Não ganhei um centavo desse banco. Eu não tenho nada com esse banco”, disse o fundador da Universal. A igreja declarou que ele não participa da gestão executiva, financeira ou contábil do Digimais, enquanto o banco afirmou que questões societárias, regulatórias e financeiras estão em análise e serão comunicadas pelos canais competentes.

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