NATHALIA GARCIA
FOLHAPRESS
O Banco Central decretou nesta quinta-feira (29) a liquidação da instituição de pagamento MW, sediada em Joinville (Santa Catarina), após detectar graves violações às normas que regem a atuação dos integrantes do sistema de pagamentos brasileiro.
Segundo um interlocutor com conhecimento no assunto, sob condição de anonimato, foram identificados problemas como ausência de controles adequados de prevenção à lavagem de dinheiro e fraude, além de envolvimento com bets ilegais. Somado a isso, as medidas prudenciais preventivas aplicadas pelo BC para preservar a estabilidade do sistema financeiro não foram cumpridas pela instituição.
Procurada pela reportagem por e-mail na manhã desta quinta, a MW Pay não se manifestou até a publicação da reportagem.
Com a decisão, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis a partir desse momento. Segundo a autoridade monetária, a MW tem baixa representatividade no sistema financeiro nacional, com menos de 0,0002% do ativo total.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”, afirmou em nota.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, acrescentou.
No site oficial da instituição, a MW Pay diz ter participação direta no Pix, com conectividade ao sistema, oferecendo “infraestrutura de pagamentos e conectividade direta ao ecossistema Pix como participante do arranjo, com foco em segurança, rastreabilidade e eficiência operacional.”
A empresa oferecia serviços para fintechs, marketplaces, plataformas de tecnologia e empresas de alto volume.
A empresa Sucesso Consultoria Empresarial foi nomeada pelo BC como liquidante da MW, com poderes de administração e representação da instituição, tendo Viviane Paninson como responsável técnica.
Desde o início do ano, o BC já anunciou a liquidação extrajudicial de quase 20 instituições, parte ligada ao escândalo do Banco Master. Constam também na lista corretoras de câmbio e outros tipos de empresas.