Uma juíza de Buenos Aires suspendeu hoje o pagamento de dívidas da Argentina com reservas do Banco Central, como reivindicavam, em um recurso de amparo, as principais forças políticas da oposição, informaram fontes judiciais.
A decisão da juíza María José Sarmiento sustenta que o Parlamento deve ser responsável por decidir o uso dos recursos do Banco Central, por isso suspendeu o decreto que a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, assinou em meados de dezembro passado para pagar dívidas com reservas monetárias.
O assunto é motivo de um conflito que ontem levou à demissão, também por decreto, do presidente do Banco Central, Martín Redrado, devido à recusa deste em cumprir a determinação do Executivo.
A decisão da juíza será notificada em breve à Coalizão Cívica – terceira força parlamentar -, à aliança conservadora Proposta Republicana (PRO) e as outras forças opositoras que apresentaram o recurso de amparo.
O deputado Federico Pinedo, do PRO, confirmou a rádios locais o golpe ao Governo de Cristina, apesar de ter afirmado que ainda não está a par dos detalhes da sentença da juíza.
Redrado ratificou hoje que não está disposto a renunciar, como havia solicitado na quarta-feira o Governo de Cristina, que, no dia seguinte, o afastou por meio de um decreto assinado por todos os ministros, o que gerou uma áspera polêmica com a oposição.