Marina Marquez, com agências
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Os brasileiros nunca voaram tanto. Mas, ao mesmo tempo em que descobrem facilidades do transporte aéreo, se deparam com as agruras do setor. Mais do que atrasos e aeroportos lotados, o que atormenta a vida de quem viaja de avião são os problemas com bagagem. Tanto é assim que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou aumento de queixas.
Em 2009, o serviço de atendimento recebeu 3.572 “manifestações” sobre bagagens – a maioria de extravio e furto de dentro das malas. Nos seis primeiros meses deste ano, foi quase a mesma quantidade: 3.518, média de 586 por mês, ante as 300 em 2009. O item “bagagens”, que em 2009 era terceiro no ranking de queixas, foi para segundo. Só perde para as reclamações sobre o atendimento de servidores e empresas aéreas.
Relatório de 2008 da Sociedade Internacional de Comunicações Aeronáuticas apontou que, no ano anterior, 42 milhões de bagagens foram extraviadas ou danificadas no mundo. Do total, 1,2 milhão jamais foi recuperado. No Brasil, além do aumento de passageiros há agravante: a precariedade dos aeroportos. O de Cumbica, em Guarulhos, é o melhor exemplo. “A estrutura é a mesma de 20 anos atrás”, diz Rubens Pereira Leitão Filho, gerente-geral da Orbital, empresa que transporta as bagagens nos terminais brasileiros.
Embora exista tecnologia capaz de rastrear bagagens, nenhum aeroporto ou companhia aérea nacional tem os equipamentos. O processo de triagem das malas é manual.
O técnico em informática Julio Cesar da Silva, 27 anos, diz que a precariedade do serviço facilita a ação de pessoas que querem roubar ou extraviar as malas. Há um mês teve produtos furtados quando vinha de Belo Horizonte para Brasília. “Abriram a mala e levaram celular, perfumes, tudo. Procurei a empresa aérea, fiz registro, mas nada. A espera é em vão”, conta. Como ele, a internacionalista Ana Marcília Estenato, 28 anos, teve produtos furtados. “Voltava de Buenos Aires e levaram o que puderam, celular, roupas, perfumes. E violando o lacre.”
“A bagagem é a coisa mais íntima que um passageiro carrega. Temos de tomar cuidado”, diz Mônica Thomaz Capelli, da Puma Air. TAM e Gol, líderes do mercado doméstico, não manifestaram-se nem divulgaram seus dados.