Menu
Economia

Alta nos preços dos alimentos leva 44 mi de pessoas à pobreza

Arquivo Geral

15/02/2011 17h51

Cerca de 44 milhões de pessoas foram arrastadas para baixo da linha da pobreza pelo aumento dos preços dos alimentos, que se encontram em “níveis perigosos”, alertou nesta terça-feira em um relatório o Banco Mundial (BM).

O presidente do BM, Robert Zoellick, qualificou a situação de “perigosa” e pediu aos líderes do G20, que se reunirão dentro de alguns dias em Paris, que considerem a questão dos alimentos como um tema “fundamental” da agenda.

Segundo o último relatório do BM, os preços mundiais dos alimentos subiram 15% entre outubro de 2010 e janeiro de 2011, o que significa um aumento de 29% a respeito do ano anterior, apenas 3% abaixo do número recorde de 2008.

“A alta dos preços está empurrando milhões de pessoas para a pobreza, especialmente os mais vulneráveis, que gastam mais da metade de sua renda em comida”, explicou em entrevista coletiva Zoellick.

O presidente do BM destacou que a “crescente volatilidade dos preços, devido ao aumento dos estoques e ao aumento da demanda, e somado às adversas condições meteorológicas”, pode transformar o tema em um “grande problema”.

Entre os alimentos que mostraram um aumento especial se encontra o trigo, que duplicou nos últimos seis meses; o milho, que disparou 73%; e o açúcar, que registrou um aumento de mais de 20%.

No entanto, o BM assinalou que o comportamento moderado dos valores do arroz, cujos preços subiram a um ritmo menor, evitou que o número de pessoas que ultrapassaram o nível da pobreza fosse maior.

O organismo internacional reconheceu que a alta dos preços fez com que 24 milhões de pessoas ultrapassassem o nível da pobreza devido a suas rendas, mas destacou que os afetados por esta alta foram mais de 68 milhões de pessoas, o que deixa o número líquido em 44 milhões de pessoas vivendo sob a linha da pobreza.

O BM situa a linha de pobreza em uma receita de menos de US$ 1,25 por dia.

O Banco Mundial aconselhou como medidas para frear os efeitos deste aumento agudo “a extensão de programas de segurança alimentar, a eliminação das restrições à exportação e a redução do uso de tecnologias biocombustíveis”.

Zoellick não vinculou esta alta dos preços com os recentes protestos em diversos países árabes, como o Egito e a Tunísia, mas reconheceu que se não for feito frente à crise “a pressão sobre sistemas políticos frágeis pode aumentar e se juntar aos motivos dos protestos”.

Por sua parte, a ONG Oxfam destacou a especulação como uma das principais causas deste encarecimento dos preços dos alimentos.

“As reservas globais de grãos ainda são relativamente saudáveis. As provas circunstanciais apontam para a especulação como responsável pela crise no preço dos alimentos”, afirmou em comunicado Luc Lampriere, porta-voz da Oxfam.

“Desde 2002, US$ 200 bilhões têm sido canalizados para o mercado de alimentos pelos fundos de investimento”, acrescentou ao ressaltar que estão “superaquecidos”.

A Oxfam pediu aos líderes das principais economias do mundo, que se reunirão em Paris, que tomem medidas perante a alta dos preços antes que escape do alcance dos mais pobres.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado