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Economia

Alta da inflação é estimulada pelo aumento dos preços no atacado, avalia professor da FGV

Arquivo Geral

08/03/2010 19h36

A projeção de inflação para este ano se aproxima de 5%, distanciando-se da meta de 4,5%. Para o professor Evaldo Alves, da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV), de São Paulo, um dos motivos mais fortes para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o aumento dos preços no atacado.

 

Alves disse que o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve sua projeção  anual aumentada de 5,70%, na semana passada, para 5,91% no Boletim Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira (8); e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) também cresceu de 5,86% para 5,88%.

 

Os dois indicadores são usados pela FGV para medir a tendência dos preços no atacado. O professor salientou que os aumentos no atacado “tendem a se propagar por toda a economia”. Daí a necessidade, segundo ele, da adoção de medidas corretivas para que a inflação não se estenda desordenadamente.

 

Embora a maioria dos analistas financeiros aposte na elevação da taxa básica de juros (Selic) só de abril em diante, Evaldo Alves entende que “a situação econômica já está abrindo caminho” para elevação em torno de 0,5 ponto percentual. É uma sinalização de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode antecipar o aumento da taxa na reunião que fará na semana que vem, dias 16 e 17.

 

O professor acredita que as flutuações de preços ora em andamento abrem espaço para uma taxa Selic de 11,25% no fim do ano, contra os 8,75% ao ano, que está em vigor desde julho do ano passado e é o nível mais baixo da taxa básica de juros desde a criação do Copom, em 1996.

 
Alves afirmou que as altas dos índices de preços no atacado devem deixar os consumidores atentos. “O mercado está sinalizando uma contenção de gastos, e o consumidor deve evitar contrair dívidas. Para aquelas pessoas que têm uma reserva, o recomendável é investir em ativos conservadores e de alta liquidez”, recomendou.

 

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, reconhece que os indicadores de inflação estão pressionados em grande medida pelos preços dos alimentos, e com isso cresce a expectativa em torno da próxima reunião do Copom. Mas ele acredita na manutenção da Selic em 8,75%, até porque os dados recentes da indústria não apontam para um cenário de aquecimento excessivo.

 

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