Uma prudente administração da macroeconomia, uma base fiscal sólida, o aumento das reservas internacionais e um tratamento nos sistemas financeiros mais rigorosos que o dos Estados Unidos, são alguns dos fatores que serviram de muro de contenção.
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, o titular da Corporação Andina de Fomento (CAF), Enrique García, e funcionários e empresários da América Latina analisaram o desempenho da região no 15º Simpósio da revista de negócios “Latin Trade” que ocorreu hoje em Miami.
Moreno ressaltou que a América Latina está “passa por uma espécie de mudança de paradigma no sentido que quando começou a crise, os cálculos apontavam que a região enfrentaria grandes dificuldades”.
“O certo é que está se recuperando melhor do que todo o mundo esperava”, afirmou.
A projeção média é que as economias latino-americanas sofrerão uma contração entre 1,5% a 2% em 2009, segundo dados do BID.
Para 2010, a projeção é de crescimento de 3%, reiterou o presidente do organismo multilateral de financiamento.
Moreno esclareceu que a recuperação econômica não é igual para todos os países porque os mais próximos do epicentro como o México, as nações da América Central e do Caribe terão um impacto maior que as nações da América do Sul.
Na opinião dele, o panorama demonstra que as políticas econômicas adotadas pela maior parte dos países deram resultado.
“A região aprendeu as lições em 25 anos de 31 crises financeiras”, disse Moreno.
Já Enrique García, presidente da CAF, afirma que a atual recuperação ocorre porque pela melhor preparação da região para enfrentar a crise.
“A inflação e várias crises financeiras em décadas anteriores criaram consciência nos países latino-americanos da importância de gerenciar a macroeconomia, independentemente das diferenças ideológicas”, especificou.
Soma-se a isso, o resultado do mundo até 2007, especialmente na China e em outros países da Ásia, que registraram lucros importantes para as nações da região mediante troca comercial.
“Isso aliviou os efeitos da crise, situação que seria fatal se tivesse ocorrido há dez anos”, assegurou.
García, no entanto, ressaltou a necessidade de cautela porque apesar de existir a recuperação na América Latina, esta não permitirá alcançar as taxas de crescimento de quase 6% registradas antes da crise.
“Para os próximos três anos as projeções estimam retomada do crescimento na ordem de 3%. Esse é um tema que deve ser visto com cuidado”, advertiu.
Para resolver os problemas fundamentais da América Latina, especialmente a geração de empregos, García ressaltou a importância de incorporar os setores informais e reduzir a pobreza, mantendo um crescimento médio de 5%.
“É preciso ter cautela e é um desafio muito importante. A região não deve sentir a ainda vitoriosa”, sugeriu.
Para o titular da CAF, há uma agenda microeconômica pendente: é preciso melhorar a infraestrutura, a educação, a tecnologia, fortalecer as instituições e atrair fluxos de recursos externos que em média serão sempre acima dos US$ 150 bilhões ao ano.
A chave para atrair o capital é que a região mantenha uma atitude positiva frente ao investimento estrangeiro porque haverá uma grande concorrência pelos recursos excedentes dos países como China e os petroleiros.
Igal Magendzo Weinberger, coordenador de política de microeconomia do Ministério das Finanças do Chile, dissertou sobre as medidas adotadas por seu país para enfrentar a crise e entre essas mencionou que economizaram os ingressos provenientes dos altos preços do cobre e os colocaram em um fundo.
O Chile também tem um sistema financeiro saudável, adotou uma política de crédito para a pequena e média empresa e aumentou a rede social, perdeu menos trabalho do que previa e tem liquidez, segundo o funcionário.
Weinberger apresentou seu país como um oásis macroeconômico no qual “há grandes oportunidades para as empresas. É um lugar estável”.
O funcionário disse à Agência Efe que projetam para este ano uma queda “de menos 1,6% do PIB e para 2010 esperamos crescer em torno 5%”.