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Economia

Agro no Paraná diz que serviço da Copel está péssimo, aponta prejuízo financeiro e critica reajuste de 19%

Copel tem mais de 5 milhões de consumidores em 395 dos 399 municípios do Paraná e desde sua privatização, no final de 2023, tem enfrentado reclamações sobre serviços prestados pela empresa, especialmente do setor rural

Redação Jornal de Brasília

05/05/2026 18h42

copel

Foto: Divulgação/ Copel

CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS

Representantes do setor agrícola e industrial do Paraná subiram o tom contra a Copel (Companhia Paranaense de Energia) e cobraram soluções para problemas como quedas no fornecimento, oscilações de tensão, demora no religamento e queimas de equipamentos.

As reclamações foram feitas em uma audiência pública da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado nesta terça-feira (5), com participação da empresa e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Quarta maior distribuidora de energia do país, a Copel tem mais de 5 milhões de consumidores em 395 dos 399 municípios do Paraná e desde sua privatização, no final de 2023, tem enfrentado reclamações sobre serviços prestados pela empresa, especialmente do setor rural.

“No Paraná, a energia elétrica passou a ser um fator de risco para a atividade rural constante. São prejuízos financeiros de grande monta e morte de milhares de animais. Isso não é um problema pontual ou restrito a casos isolados”, afirmou o presidente da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, que também está à frente do G7, grupo que reúne as sete principais entidades representativas dos setores produtivos do Paraná.

Entre os episódios citados durante a audiência pública estão a queda de energia em um aviário, gerando a morte de 20 mil frangos que não aguentaram o calor do local, e a perda de 900 mil quilos de tilápia em um tanque de água cuja oxigenação ficou comprometida. Os dois casos ocorreram no início deste ano em cidades do oeste do Paraná.

“A Copel nos apresentou índices indicando um tempo médio de interrupção anual em torno de 7 horas.

No entanto, o tempo real percebido pelos consumidores em geral chega a 17,5 horas. Isso ocorre devido a expurgos que retiram mais de 60% do tempo de interrupções do cálculo oficial que a Copel utiliza. No meio rural, a situação é ainda mais grave”, reclamou Meneguette.

O presidente da Faep cobra auditoria independente sobre os expurgos aplicados nos indicadores e uma análise sobre os impactos dos investimentos na qualidade do serviço.

Os expurgos são uma forma de retirar do tempo de duração da queda de energia aqueles eventos específicos, como tempestades severas, por exemplo. A Aneel considera os expurgos para fechar seus indicadores sobre as empresas.

De acordo com Ana Claudia Cirino dos Santos, superintendente adjunta de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica da Aneel, há uma discussão interna para “aprimorar essa norma dos expurgos”.

“Com o aumento dos eventos climáticos, não só no Estado do Paraná, mas em todo o Brasil, a gente percebeu que precisa aprimorar todo o regulamento de distribuição”, afirmou ela, acrescentando que, no caso da Copel, existem expurgos elevados e, por isso, na percepção do consumidor, o serviço piorou.

Os setores produtivos também criticaram o aumento da tarifa da Copel que começará a ser aplicado no próximo mês. “É o maior reajuste do Brasil hoje. São 26,7%: 19,2% vão cair neste ano. É gritante o nosso aumento. Não podemos absorver”, disse João Arthur Mohr, superintendente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná).

Responsável pela convocação da audiência pública e pré-candidato ao governo do Paraná, o senador Sergio Moro (PL) afirmou que a deterioração dos serviços da Copel vem sendo observada pela população desde 2024, mas evitou criticar a privatização feita sob a gestão Ratinho Junior (PSD).

Moro diz que é a favor das privatizações em geral, mas que “a empresa precisa continuar prestando um serviço de qualidade”. “Aliás, quando a privatização é feita, e principalmente sob o argumento de ganho de eficiência, entre outros motivos, me parece que é obrigação da empresa apresentar um serviço de maior qualidade nesse período”, disse ele.

Presente na audiência pública, o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antonio Villela de Abreu, citou investimentos recentes, como a renovação de 25% das redes rurais, mas reconheceu desafios e apontou para os eventos climáticos.

“Em 2025, de setembro a dezembro, nós tivemos um aumento de 36% nos eventos com rajadas de vento acima de 50 km/h, o que provoca bastante danos ao nosso ativo”, disse ele.

“Nos 71 anos da Copel, em média, nós trocávamos uma torre de alta tensão por ano, que eram destruídas pelos ventos acima de 100 km/h. Somente em 2025, foram 21 estruturas e quase 3 mil postes destruídos”, continuou o diretor-geral, ao mencionar o tornado em Rio Bonito do Iguaçu (PR), em novembro do ano passado.

“Estamos mudando o nosso padrão de rede para um padrão de rede mais robusto e mais resiliente aos eventos climáticos extremos”, disse o representante da Copel.

Ele também afirmou que foi criado neste mês um canal de comunicação exclusivo para produtores rurais e que a empresa vai melhorar o diálogo aberto com o setor para a solução dos problemas.

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