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Economia

Agricultura: exportações do agro à UE crescem 14,8% em receita após acordo com Mercosul

O complexo soja, que reúne grãos, farelo e óleo, permaneceu como o principal segmento da pauta exportadora brasileira ao mercado europeu

Redação Jornal de Brasília

01/11/2026 13h49

lavoura agricultura familiar

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil/Arquivo

As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% em valor nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre os dois blocos, iniciada em maio deste ano, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em nota, em comparação a igual intervalo de 2025. As vendas somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, segundo dados do sistema Agrostat, do Mapa. Em volume, os embarques avançaram 8,1%, para 17,74 milhões de toneladas, ante 16,42 milhões de toneladas um ano antes.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelo complexo soja e pelas carnes, além de produtos apícolas, frutas e outros itens da pauta agropecuária. As exportações de carnes registraram alta de 103,5% em valor e de 170% em volume, passando de 101 mil para 272 mil toneladas. Já as vendas de produtos apícolas, principalmente mel, avançaram 367% em valor no período.

O complexo soja, que reúne grãos, farelo e óleo, permaneceu como o principal segmento da pauta exportadora brasileira ao mercado europeu. As vendas passaram de US$ 3,12 bilhões entre maio e setembro de 2025 para US$ 4,19 bilhões no mesmo período deste ano, crescimento de 34,2% em valor e de 20,5% em volume. Considerando apenas a soja em grãos, o avanço foi de 49% em receita e de 35,1% em quantidade.

Também tiveram desempenho positivo os produtos florestais, com aumento de 23% em valor; as frutas, incluindo nozes e castanhas, com alta de 15%; e os demais produtos de origem animal, com expansão de 55,5%. Entre os produtos individuais, destacaram-se o abacate, cujas exportações cresceram 421,2%, para US$ 19,87 milhões, e o óleo de milho bruto, com avanço de 266,3%, para US$ 129,35 milhões.

No segmento cafeeiro, as vendas de café torrado à União Europeia aumentaram 91,6% em valor e 116,5% em volume. As exportações de café solúvel cresceram 19% em receita e 38,2% em quantidade. Os embarques de manga avançaram 31,2% em valor, enquanto os de maçã tiveram alta de 28,8%.

Preferências tarifárias

O período coincide com o início da aplicação das preferências tarifárias previstas no acordo comercial, que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio. Entre os produtos agropecuários brasileiros que já contam com reduções de tarifas estão café torrado, café solúvel e abacate. Para os cafés, a eliminação tarifária será gradual, com conclusão prevista para 2030. No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, também com liberalização completa prevista para 2030.

O acordo prevê ainda condições preferenciais de acesso ao mercado europeu para produtos como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Em alguns casos, os benefícios estão condicionados a cotas de importação, com volumes e condições específicos. A implementação das reduções tarifárias será gradual.

Apesar do avanço das exportações, o acesso ao mercado europeu também depende do cumprimento de exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Entre os desafios está a adequação das cadeias produtivas às regras do bloco, incluindo o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Superávit comercial

As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, aumento de 3,3% ante os US$ 1,62 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Em volume, as compras cresceram 6,8%, para 617,9 mil toneladas. Com isso, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com o bloco europeu aumentou 17%, passando de US$ 9,01 bilhões nos cinco primeiros meses de 2025 para US$ 10,54 bilhões no mesmo intervalo deste ano.

Assinado em 17 de janeiro, o acordo Mercosul-União Europeia conecta mercados que reúnem aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões. A aplicação provisória do instrumento comercial começou em maio, enquanto a entrada em vigor definitiva da parceria depende da conclusão dos procedimentos de aprovação e ratificação previstos para os dois blocos.

Estadão Conteúdo

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