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Economia

Abiquim encaminha pleitos da indústria química a campanhas; gás natural está na pauta

Entre 2007 e 2025, o déficit comercial da indústria química aumentou de US$ 13,3 bilhões para aproximadamente US$ 60 bilhões, enquanto a dependência de importações passou de 27% para cerca de 50% da demanda doméstica

Redação Jornal de Brasília

07/09/2026 7h25

Foto: Agência Brasil

Empresas do setor da Indústria Química encaminharam um conjunto de pleitos do setor às campanhas dos candidatos à presidência da República. Dentre elas, está a disponibilização de insumos a preços competitivos, seja energia elétrica ou gás natural. A presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia, Daniela Manique, afirma que a competitividade da indústria é fortemente afetada pelo custo do gás natural.

“Com o shale gas gás de xisto, os Estados Unidos passaram a ter insumo a cerca de US$ 2 a US$ 3 por milhão de BTU unidade térmica britânica. A Europa, em meio aos custos da guerra, tem gás a cerca de US$ 7 por milhão de BTU. No Brasil, pagamos de US$ 13 a US$ 14, o dobro da Europa em guerra”, disse.

“Gostaríamos que custasse 3, mas poderíamos ser competitivos a 6 Entendemos que não baixe de uma hora para outra, mas precisamos que se tome essa decisão”, afirmou o Presidente do Grupo OCQ, Francisco Fortunato.

Ele afirmou que o setor químico enfrenta um processo persistente de perda de competitividade, refletido no aumento da dependência de importações, na redução da utilização da capacidade instalada e na queda dos investimentos produtivos.

Entre 2007 e 2025, o déficit comercial da indústria química aumentou de US$ 13,3 bilhões para aproximadamente US$ 60 bilhões, enquanto a dependência de importações passou de 27% para cerca de 50% da demanda doméstica. No mesmo período, a utilização da capacidade instalada caiu de 87% para aproximadamente 64%, os investimentos produtivos anuais recuaram de US$ 2,2 bilhões para apenas US$ 200 milhões e o investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento reduziu-se de 0,78% para 0,30% da receita líquida.

Manique, da Solvay-Rhodia, aponta que a Petrobras tem tentado extrair o máximo de lucratividade de sua molécula, sem uma visão de longo prazo: “Vimos lucro astronômico da Petrobras. É uma visão de curto prazo. Através de um monopólio, estão matando a indústria nacional”, afirmou. Ela disse que, na prática, a saída da indústria, que consome cerca de 30% a 40% do gás natural do País, pode encarecer o gás para a população, já que os custos de distribuição ficariam menos diluídos.

A Abiquim defende a criação de uma regulação, como a que está em andamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a redução da reinjeção do gás natural na produção de petróleo. “O ponto de partida é que os dados técnicos sobre reinjeção de gás sejam abertos e transparentes. A partir desses dados, queremos que seja estabelecido de fato qual é a necessidade técnica de reinjeção no processo de exploração de petróleo e qual o volume de gás que não precisa ser reinjetado tecnicamente, só está sendo reinjetado por razões de limite de infraestrutura, por razões comerciais”, afirmou André Passos da Abiquim.

Uma segunda medida pedida pelo setor é a regulação da precificação do serviço de escoamento e processamento de gás natural no Brasil. Já na distribuição de gás natural, na visão da Abiquim, há a necessidade de uma “revisão tarifária no Brasil inteiro”.

“Há uma necessidade de harmonizar as metodologias de definição das tarifas de distribuição de gás natural no estado de São Paulo, no Estado do Rio Grande do Sul, no Estado do Paraná, no Estado da Bahia, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro. Cada Estado tem a sua metodologia diferente de definição da sua tarifa de distribuição. A convergência de todas elas é que, geralmente, gera uma tarifa brutalmente alta”, conclui Passos.

Estadão Conteúdo

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