Com 40 semanas de gestação e depois de passar por seis hospitais, Loyane Cristina dos Santos, 30 anos, sofreu um sangramento e finalmente passou por uma cesariana – que, segundo ela, já era indicada por seu quadro de hipertensão – no Hospital Regional de Samambaia (HRS), na última sexta-feira. Em função da pressão alta, a propósito, a mulher estava afastada do trabalho há três meses. Porém, nem o estado de saúde crítico nem o encaminhamento médico que a mulher afirmou possuir pela gravidez de risco foram suficientes para que ela conseguisse realizar o parto cesáreo antes que seu bebê entrasse em sofrimento, ingerisse as próprias fezes e precisasse de uma UTI neonatal – que o hospital não possui – para ser então internado em estado grave.
De acordo com a técnica administrativa Priscila Jacobina, de 27 anos, cunhada de Loyane, em todos os hospitais a desculpa era a mesma. “Eles diziam que uma portaria do Ministério da Saúde lançada recentemente determina que a cesárea só deve ser realizada em último caso. Só que a Loyane possuía indicação médica, isso é um absurdo!”, reclama.
Ministério Público
Após a cesárea, a mãe continua internada e não pode fazer muito pelo filho. Sua família, no entanto, está mobilizada para ajudar a salvar a vida de seu bebê. “Fomos ao Ministério Público hoje (ontem) a tarde solicitar a internação em uma unidade neonatal. O processo demorou porque a médica só fez o pedido hoje (ontem) pela manhã, mesmo suspeitando de má formação no coração ou de algum problema no pulmão do bebê”, comenta Priscila.
Para piorar, em função do estado grave, a criança não pode ser transferida para um hospital que possua unidade neonatal no momento. “Mas terá que ser, já que o hospital não possui UTI neonatal”, acredita a cunhada.
O auxiliar administrativo Leandro Jacobina, de 27 anos, marido de Priscila, ressalta a problemática de se realizar cesarianas em hospitais que não possuem UTI neonatal. “Isso nem deveria ser permitido, já que se a criança precisar de assistência não poderá ser internada ali”, destaca.
Agora, a solicitação já está formalizada junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). “Não nos deram um prazo, disseram apenas que o nome dela era um dos primeiros na lista de prioridades. Esperamos que seja rápido, pois cada minuto é decisivo para esta criança”, alega Priscila.