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Brasil

Voluntários levam apoio em saúde mental a vítimas e jovens

Psicólogos relatam iniciativas gratuitas de escuta e atendimento a pessoas em vulnerabilidade, com ações presenciais e online no Brasil e em outros países da América Latina.

Redação Jornal de Brasília

28/08/2026 8h30

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Foto: Projeto Help/Divulgação

Psicólogos e voluntários têm ampliado iniciativas de apoio à saúde mental para vítimas de traumas, pessoas em vulnerabilidade e jovens que relatam ansiedade, depressão e outros sofrimentos emocionais. As ações vão de atendimentos online a escutas em espaços públicos e escolas, no Brasil e em outros países da América Latina.

Em Brasília, a psicóloga Esly Carvalho, especializada no atendimento a pessoas que passaram por traumas, passou a atuar como voluntária em causas humanitárias diante de desastres como terremotos, guerras e enchentes. Com 45 anos de experiência profissional, ela treina equipes para lidar com pacientes em momentos de estresse pós-traumático e defende a técnica EMDR, abordagem psicoterapêutica que busca desbloquear memórias dolorosas.

Na Venezuela, segundo o relato da psicóloga, mais de 100 colegas foram formados para aplicar o método, e mais de 500 pessoas já foram atendidas. As sessões ocorrem às quintas-feiras, de forma online e gratuita. Entre as profissionais orientadas desde o dia seguinte ao terremoto, está a psicoterapeuta Deglya Flores, de 59 anos, que vive em Caracas e diz ter ficado profundamente abalada com as cenas nas cidades mais atingidas.

Ela relata que o grupo também tem prestado atendimento remoto a vítimas do terremoto na Colômbia, além de atuar com profissionais de saúde mental e voluntários dispostos a oferecer escuta, inclusive em acampamentos em La Guaira, região mais atingida pelo desastre.

Outra iniciativa citada na reportagem é o projeto Help, criado em 2017, em São Paulo, por seis amigos que haviam enfrentado crises de depressão. A proposta começou com mensagens em viadutos e pontes, com telefones de contato para quem precisasse de ajuda. Hoje, o grupo reúne 7 mil voluntários em todas as unidades federativas do país e soma 389 mil seguidores no Instagram.

O projeto promove palestras em unidades de ensino e escutas em espaços públicos, como rodoviárias, parques e estações de trem. Essas atividades, chamadas de “cantinho do desabafo”, também funcionam de forma remota, com primeiro contato por WhatsApp. Segundo o coordenador nacional, Felipe Santos, os jovens têm buscado com frequência o atendimento, muitas vezes por problemas ligados a dependência de tecnologia e apostas online.

Em São Paulo, nesta semana, voluntários atenderam na estação de Francisco Morato. Já em Brasília, o coordenador local do grupo é o militar da Marinha Thiago Domingos, de 31 anos, que passou a atuar depois de saber de casos de suicídio entre jovens nas Forças Armadas. Ele afirma que o projeto trabalha com prevenção e ajuda pessoas sem recursos para consultas psicológicas.

Domingos diz que, em Brasília, cerca de 5 mil pessoas foram atendidas nos últimos anos e que há 15 psicólogos voluntários atuando regularmente na cidade. Em escolas, segundo ele, também surgem relatos de bullying e de outros problemas emocionais.

Entre os voluntários, Juliana Cei, de 38 anos, afirma ter encontrado na atividade um novo vínculo com a profissão. Ela observa uma crise de saúde mental generalizada e diz perceber maior procura de mulheres por ajuda. Em um dos atendimentos, lembra, uma adolescente perguntou sobre a profissão de psicologia, o que ela interpreta como uma forma de “plantar uma sementinha” em quem está sofrendo.

O psicólogo brasiliense Lucas Hedler, de 45 anos, também aderiu ao trabalho voluntário para apoiar outras pessoas trans. Ele diz ter criado um grupo de apoio para que participantes possam compartilhar inseguranças e histórias com segurança. Hedler afirma ainda que quer desenvolver mais projetos voltados ao atendimento voluntário e que tem interesse em se especializar em autismo.

Para quem busca atendimento gratuito em saúde mental, a reportagem cita como alternativas o CVV, pelo telefone 188, a Rede de Atenção Psicossocial do SUS e os Alcoólicos Anônimos.

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