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Brasil

Voluntariado empresarial ajuda a combater a pobreza, diz ex-ministra de Assistência Social

Arquivo Geral

10/09/2010 8h56

Investir nos jovens brasileiros, com a garantia de acesso ao ensino médio e ao trabalho por meio de oportunidades de estágio, é a receita da ex-ministra da Assistência Social Wanda Engel para que o Brasil consiga reduzir as desigualdades sociais. Para ela, entre os avanços no combate à pobreza no país estão o aumento da responsabilidade socioambiental e a maior conscientização das empresas em relação às ações que devem ser desenvolvidas em benefício da coletividade.

“Eu estou convencida de que o grande motor de saída da pobreza vai ser o acesso das novas gerações ao ensino médio, isto é, terem a escolaridade compatível com as necessidades de mercado. O que está acontecendo hoje é que a nossa juventude ou não está entrando no ensino médio, ou está desistindo no meio do caminho.”

Ela acredita que enquanto as ações de assistência não estiverem associadas à garantia de acesso dos jovens pobres ao ensino médio, assim como de conclusão dessa etapa de ensino, “não se poderá quebrar a reprodução do ciclo intergeracional de pobreza”. Segundo Wanda, o voluntariado empresarial é um novo ativo na luta contra a pobreza, que está associada à degradação ambiental.

 

Pesquisa do Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial, do qual Wanda Engel é presidente, revela que, apesar de ser um fenômeno novo no Brasil, o voluntariado está presente na maioria das grandes empresas instaladas no país.

 

“A primeira constatação é que o voluntariado empresarial vem sendo mais consolidado no país e a segunda é que está ocorrendo mais nas grandes empresas”, disse ela. Do total de 100 companhias que responderam ao questionário, 73% são de grande porte. “Ainda é alguma coisa que está surgindo em empresas mais organizadas, maiores, grande parte delas internacionais, que estão mais sintonizadas com essa tendência mundial de voluntariado empresarial.”

 

A presidente do conselho frisou que as ações de voluntariado social fazem parte da ideia de responsabilidade socioambiental dessas empresas, que também fazem investimentos sociais privados.

 

Estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) avalia que o mundo seria mais pobre e mais desigual se não houvesse o trabalho voluntário individual. “Se isso acontece com voluntariado individual, você imagina como o voluntariado com foco, com planejamento, pode ser um elemento importantíssimo na melhoria das condições de vida da sociedade e do meio ambiente”, disse Wanda.

 

Para a ex-ministra,a situação vai melhorar quando essa percepção alcançar também as médias e pequenas companhias. Segundo Wanda, as empresas já estão percebendo o valor que a execução de programas de voluntariado tem para elas mesmas. Entre os benefícios apurados estão o aumento dos valores éticos dentro das empresas, apontado por 95,3% dos consultados, além de melhoria das relações com a comunidade e o fortalecimento do trabalho em equipe. “Mais de 20% dizem que vão aumentar os investimentos nessa área.”

 

De acordo com a pesquisa, 59,4% das empresas valorizam a experiência em trabalho voluntário na seleção de novos funcionários. Wanda Engel informou, porém, que as empresas públicas quase não estão envolvidas nesse tipo de trabalho. Por influência do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, algumas estatais criaram comitês de voluntariado nas décadas de 80 e 90. “Mas esse movimento veio arrefecendo”. Em contrapartida, o processo vem aumentando nas empresas privadas.

 

A pesquisa constatou também que a participação de diretores nas ações voluntárias serve de estímulo para uma maior adesão dos funcionários nesse tipo de ação social. “O exemplo deve partir de cima”, enfatizou a ex-ministra.

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