O vereador Janil Macedo Martins (PTB), de 33 anos, da cidade de Curralinho (a 170 quilômetros de Belém), foi preso em flagrante por manter sua sobrinha de 12 anos algemada a uma cama. Ele também é acusado de ter agredido a menina e jogado pimenta em seu rosto e nos órgãos genitais. A polícia investiga se a menina também foi vítima de estupro.
Segundo depoimento prestado pela garota à Polícia Civil, Martins, que foi preso na última segunda-feira, a teria castigado por ter saído sem autorização na noite de domingo. Naquele dia, a menina foi vista por uma tia à noite na praça da cidade, em companhia de amigas. Quando a garota chegou em casa, à meia-noite, a tia estava esperando por ela e afirmou que chamaria Martins para lhe dar um castigo.
Pimenta na genitália
A menina mora com a mãe, que presenciou tudo. Martins chegou à casa cerca de meia hora depois. Segundo a polícia, ele pegou um vidro de pimenta e jogou no rosto e nos órgãos genitais da menina, tapando sua boca e pedindo para que ela não gritasse. Enquanto isso, também a agredia fisicamente. Martins deixou a casa em seguida, mas voltou minutos depois com um par de algemas. Ele prendeu a menina no pé da cama e saiu.
Horas depois, a mãe intercedeu em favor da criança, a quem já havia dado um banho para aliviar a ardência da pimenta. Ela pediu que Martins libertasse a menina. O vereador, então, desamarrou-a do pé da cama, mas a manteve algemada.
A criança foi encontrada por volta das 12h de segunda-feira, depois de uma denúncia anônima feita ao Conselho Tutelar. Ela ainda estava algemada sobre a cama. A mãe afirmou à polícia que não procurou a delegacia porque “já era tarde da noite” e porque, pela manhã, teve que ir ao trabalho.
Segundo a polícia, a criança afirmou que o tio a agredia constantemente. A mãe disse que não. Martins foi autuado por tortura e cárcere privado e continua preso. Já a mãe da garota não foi indiciada.
Ele nega abuso sexual
Janil afirmou à polícia que estaria apenas aplicando um castigo na garota e negou o abuso sexual. Ele, que é presidente da Câmara de Vereadores do município, está preso na delegacia da cidade.
Os advogados dele anunciaram que entrariam com um pedido de habeas corpus para ele aguardar o julgamento do caso em liberdade. O pedido seria protocolado ontem mesmo, mas até o fechamento desta edição, não havia informações de que teria sido feito.
Mesmo assim, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o delegado de Curralinho, Newton Brabo, ficou de pedir a transferência do acusado da delegacia para a Superintendência da Polícia Civil de Breves, cidade vizinha a Curralinho. Também existe a possibilidade do político ser transferido para o Centro de Recuperação Anastácio das Neves, que fica no Complexo Penal do Pará (antigo complexo de Americano), no Município de Santa Izabel do Pará.