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Venda de droga continua na cracolândia após operações policiais

Traficantes vendem pedras de crack, porções de maconha e pinos de cocaína em caixotes de madeira montados na rua

Por FolhaPress 25/05/2022 7h13
Foto: Rovena rosa/Agência Brasil

Mariana Zylberkan e Danilo Verpa
São Paulo, SP

Traficantes continuam a vender drogas na cracolândia menos de uma semana após a ação policial que expulsou usuários de drogas da rua Doutor Frederico Steidel, na região central de São Paulo, na última quinta-feira (19).

Transferida para a rua Helvétia, do outro lado da avenida São João, a aglomeração de usuários de drogas mantém a mesma rotina de antes das operações. Traficantes vendem pedras de crack, porções de maconha e pinos de cocaína em caixotes de madeira montados na rua.

Balanças de precisão e lâminas ocupam espaço nas barracas improvisadas ao lado dos pratos onde a droga é disposta.

Alguns traficantes usam placas de vidro para espalhar pequenos fragmentos de crack, conhecidos como birico, uma espécie de moeda de troca na cracolândia. Caixas grandes de isopor servem de suporte para os cachimbos usados para queimar as pedras de crack.

Procurada, a Polícia Civil afirmou que está atenta ao deslocamento do fluxo e realiza trabalho de inteligência para identificar os traficantes que atuam na região. “É por meio desse trabalho que os mandados de prisão são expedidos e as operações realizadas na área”, informou em nota.

Ao lado, uma mulher também usa caixotes de madeira para organizar maços de cigarro, garrafas de aguardente e isqueiros que são vendidos aos usuários. Há também pacotes de palha de aço para limpar os cachimbos.

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Na hora do almoço, a marmita distribuída aos usuários por entidades sociais é consumida também pelos traficantes, que equilibram o recipiente de isopor em uma mão enquanto separa e entrega pedras de crack a um cliente com a outra.

Do alto dos prédios vizinhos ao novo fluxo, é possível ouvir a algazarra da feira de drogas. “Olha o pó, olha a maconha”, gritam os traficantes.

Diferente de cenários anteriores da cracolândia, em que lonas pretas eram erguidas para esconder a comercialização das drogas, na Helvétia, tudo acontece às claras debaixo das copas das árvores. O recado da polícia é que não serão toleradas barracas e tendas em meio ao fluxo de usuários.

Os atuais vizinhos da cracolândia relatam também maior intensidade no vai e vem de usuários, que carregam material de reciclagem e caminham de forma errante em busca de pedras de crack abandonadas pelo chão.

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Houve registro de aumento de furtos e roubos. Moradores de um prédio na avenida São João passaram a conviver com grupos de usuários que usam a calçada em frente à entrada para fumar crack.

Nas duas últimas operações policiais, foram presas 16 pessoas ao todo, sendo que em cada uma os policiais tinham que cumprir entre 32 e 36 mandados de prisão de traficantes identificados pelo trabalho de inteligência.

Os policiais prenderam cinco pessoas na primeira ação, realizada no último dia 11 na praça Princesa Isabel, e 11 na da última quinta-feira (19), na rua Doutor Frederico Steidel.

A droga que chega à cracolândia é refinada longe dali e transportada dentro de mochilas dos chamados mulas, usuários que prestam serviço aos traficantes em troca de pequenas porções de drogas.

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Nesta quarta-feira (25), o governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB), demonstrou apoio às operações policiais ao declarar que irão continuar a ser realizadas.

De acordo com o governador, a Polícia Civil tem realizado “um grande processo de investigação com muitas prisões efetuadas e outras em andamento. Novas operações policiais vão ocorrer”, disse durante anúncio de um programa de saúde no Hospital Brigadeiro, na região central de São Paulo.

Garcia também ressaltou que houve aumento na procura por tratamento de saúde entre usuários de drogas após “a diminuição do fluxo e dispersão dos dependentes químicos”.

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