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Brasil

Um passeio no Ipiranga em uma jardineira Ford

Arquivo Geral

19/04/2013 7h51

Em plena manhã de sábado uma jardineira Ford de 1931 passeia pelas ruas do Ipiranga, na zona sul de São Paulo. Ao volante, Augusto César Fidalgo, de 53 anos, faz o trajeto planejado, levando em consideração prédios importantes do bairro, como o Museu Paulista da USP (conhecido como Ipiranga), a Mansão dos Jafet e o Museu de Zoologia. Ao seu lado, a historiadora Natália Godinho explica a importância de cada um dos edifícios e contextualiza o bairro historicamente. Juntos, eles são responsáveis pelo tour Redescobrindo o Ipiranga, que ocorre todo fim de semana.

Augusto, que é morador do Ipiranga desde a década de 1970, decidiu há alguns anos criar o tour, seu jeito de valorizar o bairro em que nasceu e se criou e que, na sua opinião, acaba sendo esquecido pelas pessoas. “A história dessas ruas e prédios é muito legal, mas ninguém tem memória.” O primeiro tour, apesar do sucesso, acabou sendo deixado de lado, pois Augusto estava ficando sem tempo de mantê-lo. Na época ele trabalhava no Aquário de São Paulo, também no bairro, que hoje é um dos grandes apoiadores do projeto.

História

No começo do mês, porém, Augusto voltou à ativa e cheio de novidades. A mais importante delas é a presença de Natália. Formada em História pela Universidade de São Paulo (USP), ela atua como monitora do grupo. “A princípio, o que chama a atenção de todo mundo é a jardineira, mas acho que o bacana é que eu vou junto explicando tudo e, acredite, acabo mudando certos conceitos históricos que todo mundo acredita, mas que são inverdades.” O exemplo mais comum, segundo ela, é as pessoas acharem que o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, foi a casa de d. Pedro I. O edifício-monumento foi, na verdade, construído na década de 1880, bem depois que o imperador já havia morrido. Imponente, o prédio tem 123 metros de comprimento e é a atração mais esperada do tour.

Apesar da importância do museu da USP, Augusto destaca outro museu, o do conde José Vicente de Azevedo. “Você já ouviu falar dele?” E logo emenda, sem ouvir a resposta: “Pouquíssima gente conhece, mas é um lugar muito bacana”. O Museu do Conde, que não cobra ingresso de entrada, geralmente é o último ponto do tour, mas até o dia 15 de maio o local está fechado para reformas e o passeio vai pular esta etapa nos próximos dias.

Integrante da Assembleia Legislativa durante o Império e deputado federal e senador nos primeiros anos da República, o conde José Vicente de Azevedo (1859-1944) foi uma figura importante para o Ipiranga. Ele era dono de grande parte do que hoje é o bairro e construiu a maioria dos edifícios históricos da região. Além disso, fez campanha por uma das vias mais importantes do Ipiranga, a Avenida Nazaré. O conde também é responsável pela criação de instituições que caracterizam a região, grande parte delas de caridade ou educação, como o Educandário da Sagrada Família e o Memorial Santa Paulina. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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