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Brasil

Três policiais civis são presos acusados de cobrar propina de empresários no RJ

Agentes apontavam supostas irregularidades administrativas e ambientais e exigiam pagamentos dos comerciantes

Redação Jornal de Brasília

04/09/2026 14h13

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Ministério Público do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/MP-RJ

BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS


Três policiais civis e um quarto homem foram presos nesta sexta-feira (4) sob acusação de usar a estrutura da corporação para extorquir empresários dos setores de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Os policiais, lotados no 74ª DP (Alcântara), usavam viaturas oficiais, armamento e as dependências da Polícia Civil em falsas abordagens a comerciantes, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro. Os presos foram denunciados.

A Polícia Civil afirmou que “não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta por parte de seus servidores e atuará com rigor para responsabilizar aqueles que utilizarem o cargo para cometer crimes”.

A Promotoria, juntamente com a Corregedoria e Serviço de Inteligência da Polícia Civil, apurou que os quatro homens visitavam empresas sob o pretexto de realizar fiscalizações. Eles apontavam supostas irregularidades administrativas e ambientais e exigiam pagamentos dos comerciantes.

Em um dos casos investigados, os três policiais teriam exigido inicialmente R$ 300 mil para que uma empresa de reciclagem não fosse multada, em 19 de agosto. Após queixa do proprietário, eles reduziram o valor para R$ 100 mil, podendo ser pago em parcelas, além da cobrança de R$ 800 mensais.

Segundo a Promotoria, o proprietário fez uma transferência de R$ 25 mil no mesmo dia. O dono da conta é apontado como responsável por receber os valores obtidos pelo grupo.

A denúncia também identificou uma abordagem feita por um dos policiais presos e outros dois homens ainda não identificados a um caminhão de uma empresa. Eles seguiram o veículo até a sede da companhia, onde se apresentaram como policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

No local, o agente teria exigido R$ 20 mil dos responsáveis pelo estabelecimento. Após ouvir que a empresa não tinha a quantia disponível, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. De acordo com a denúncia, nenhum pagamento foi feito.

A investigação chegou aos acusados após colher depoimentos de vítimas e testemunhas que apontaram a forma de atuação do grupo. Também foi usado reconhecimento fotográfico, imagens de câmeras de monitoramento e comprovante de transferência bancária.

Na operação desta sexta também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão com objetivo de reunir provas e identificar se mais suspeitos integram o grupo.

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