Nem sempre os oncologistas que participam de encontros científicos retornam para casa com novos protocolos na bagagem. Mas, no caso do recente Encontro anual na American Society of Clinical Oncology (ASCO 2011), evidências na conduta com drogas já aprovadas pela Anvisa possibilitaram que ganhos observados em pesquisas multicêntricas se tornassem realidade imediata para pacientes brasileiros. Esse é o caso de portadores de câncer de pulmão metastático do tipo não-pequenas células (NSCLC).
“A nova conduta padrão prevê que o tumor seja testado para mutação no gene EGFR. Sabe-se, de antemão, que a mutação está presente em 10% a 20% dos casos”, descreve o oncologista Marcos França, do Centro de Câncer de Brasília (CETTRO). Uma vez confirmada a alteração, ao invés da quimioterapia convencional prescreve-se a medicação oral gefitinib ou erlotinib, em primeira linha, com uso contínuo diário.
Resultados de cinco diferentes estudos evidenciaram sucesso. Um deles registrou que pacientes com a mutação no gene EGFR apresentaram redução de 52% na progressão da doença ou óbito. Outra pesquisa mostrou que o tempo livre de doença foi 100% maior, passando de 5,4 para 10,8 meses. No caso do uso do erlotinib, outra medicação-alvo, estudo Fase III determinou que 84% dos pacientes apresentaram menor risco de progressão da doença, em comparação com o tratamento com quimioterapia. “Este é um teste positivo para o futuro. A genômica estará cada vez mais presente na oncologia”, conclui Dr. Marcos.