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Brasil

Taxa de R$ 200 em Ituberá desagrada público de festival e entra para as mais altas do país

Prefeitura afirmou que recursos serão destinados à preservação ambiental e melhorias na infraestrutura; Organizadores do Universo Paralello avaliam mudar o local do evento

Mateus Souza

22/07/2026 16h50

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Foto: Reprodução

A criação de uma tarifa de R$ 200 provocou uma reação instantânea dos frequentadores do Universo Paralello, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, realizado na Praia de Pratigi, em Ituberá, município baiano. Nas redes sociais, participantes criticam o valor da cobrança e afirmam que a medida pode encarecer ainda mais a viagem e desestimular o turismo na região.

A prefeitura anunciou a cobrança na última quinta-feira (16). A Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá (TUPI) vai atingir turistas ou visitantes não residentes da cidade e está acima da média do que é cobrado em locais que aplicam a mesma política. Apenas Fernando de Noronha (PE) possui uma Taxa de Preservação Ambiental superior, equivalente a R$ 100 por dia.

Em Morro de São Paulo (BA), a taxa é de R$ 50 por visitante; em Jericoacoara (CE), R$ 41,50; e em Santo Amaro (MA), R$ 10. Em Bombinhas (SC), Ubatuba (SP) e Ilhabela (SP), a cobrança é feita por veículo, com valores inferiores a R$ 50 na maioria dos casos.

A administração municipal afirma que os recursos arrecadados serão destinados à preservação ambiental, manutenção do patrimônio natural, melhorias na infraestrutura da Praia de Pratigi e mitigação dos impactos causados pelo grande fluxo de turistas. A tarifa foi instituída pela Lei Municipal nº 1.898/2025. A administração municipal afirmou, nesta terça-feira (21), que a aplicação será feita por meio de um voucher de R$ 200, válido para todo o período do festival, entre 27 de dezembro de 2026 e 4 de janeiro de 2027.

Frequentadores do Universo Paralello argumentam que o festival já exige um investimento elevado com ingressos, transporte e hospedagem, tornando os R$ 200 um custo adicional significativo. Nas redes sociais, muitos questionam o impacto da medida na atratividade turística do município e pedem maior transparência sobre a aplicação dos recursos arrecadados.

O desenvolvedor de software Guilherme Mariano, que se preparava para ir ao festival pela primeira vez, afirmou que a medida vai gerar impacto negativo no comércio local.

“É um valor que dá para você fazer uma refeição ou beber algo, que agora será preferível, às vezes, ficar na vontade. É um dinheiro que poderia ir para um comerciante local”, disse.

Guilherme disse ainda que o valor vai exigir maior planejamento em uma possível volta ao município.

“É um festival que quero ir há muitos anos, mas creio que, em uma próxima vez, com essa taxa, devo ter que pensar bem mais se posso ir”, completou.

Arrecadação

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O Universo Paralello não divulga oficialmente um número fixo de público por edição, mas as estimativas disponíveis indicam que o festival costuma receber algo entre 20 mil e 30 mil pessoas por edição.

O festival conta com uma estrutura de grande porte. São 8 dias de evento, cerca de 1.000 artistas, 2 mil pessoas na equipe de trabalho e uma área de aproximadamente 500 mil m² na Praia de Pratigi.

Com a aplicação da TUPI de R$ 200, o impacto financeiro potencial representaria:

  • Com 20 mil visitantes, a arrecadação bruta poderia chegar a R$ 4 milhões;
  • Com 25 mil visitantes, cerca de R$ 5 milhões;
  • Com 30 mil visitantes, aproximadamente R$ 6 milhões.

No entanto, a organização do festival Universo Paralello também se manifestou nas redes sociais e afirmou que, se a taxa permanecer, o evento poderá mudar de local.

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Especialistas em economia do turismo apontam que taxas de preservação podem ser importantes para financiar infraestrutura e compensar os impactos ambientais causados pelo aumento temporário da população. No entanto, ressaltam que valores muito acima dos praticados em destinos concorrentes podem afetar a percepção dos visitantes e reduzir a competitividade turística no longo prazo.

O Universo Paralello já possui um público consolidado, capaz de movimentar a economia local por meio da rede hoteleira, restaurantes, mercados, postos de combustíveis e demais serviços. Para parte dos críticos, uma tarifa mais próxima da média nacional poderia garantir arrecadação para ações ambientais sem gerar tanta resistência entre os turistas.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Ituberá, mas ainda não obteve respostas. O espaço segue aberto para manifestações.

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