Levantadora e capitã da seleção brasileira feminina de vôlei, Fofão, de 38 anos, está mais motivada do que nunca para a disputa da quinta Olimpíada de sua carreira. Porém, a atleta acredita que a disputa de Pequim-2008 será a mais complicada dos últimos anos, dado o nível técnico semelhante de boa parte dos participantes.
“Acredito que estes serão os Jogos mais difíceis, da primeira à última partida. E isso só nos motiva mais, porque hoje, cinco ou seis seleções dividem o favoritismo. Acreditamos no trabalho que está sendo feito na seleção brasileira”, declarou a atleta, que admitiu o desejo de voltar a jogar no Brasil – este ano, ela foi campeã espanhola com o Murcia. A maior possibilidade é ela reforçar o São Caetano, mas as negociações ainda estão devagar.
Na bagagem para Pequim, Fofão já tem reservado o espaço para um presente que ganhou e que considera importante: um livro de motivação, que pretende passar para as companheiras durante a viagem. “A concentração para Pequim já começou aqui, no Centro de Desenvolvimento, em Saquarema. Quero ajudar o grupo da melhor forma e uma das funções que tenho, por ser a mais velha do grupo, é tentar fazer com que as mais novas entendam que a Olimpíada é uma grande competição. Para conseguirmos nosso objetivo, precisamos estar o tempo todo juntas e focadas”, discursou.
De olho nos últimos Jogos de sua carreira, Fofão garante que ainda se sente muito bem fisicamente. “Cada vez que os anos passam, me sinto melhor. Às vezes pergunto para a minha mãe se tenho 38 anos. Mas é essa mesmo a minha idade”, brincou a levantadora. “Para mim, toda competição é a última. No ano passado, fiz minha despedida do Sul-Americano. É difícil, mas já estou me preparando para as últimas Olimpíadas”, emenda.
A jogadora aponta que a seleção verde-amarela está cada vez mais madura. “A cada ano que passa as jogadoras estão amadurecendo mais. Acreditamos no trabalho que está sendo feito na seleção brasileira e poder estar ao lado do mesmo grupo aumenta nossa segurança. O Brasil está buscando há muito tempo um ouro olímpico. Vamos lutar por isso”, afirmou Fofão, que destacou a importância do Grand Prix. “Será a chance de a gente aproveitar para entrosar o grupo e preparar a equipe para as Olimpíadas. Este vai ser o momento, e espero que as outras seleções levem suas principais jogadoras”, comentou.
Wal – Ao lado de Fofão, a central Walewska foi uma das últimas a se apresentar em Saquarema – as duas ganharam um dias a mais de folga porque o Campeonato Espanhol também demorou mais tempo para terminar. “Fisicamente ainda estamos atrás do restante do grupo, mas estamos acelerando um pouco mais o trabalho para alcançarmos o mesmo ritmo. Chegamos motivadas, apesar de ter sido um ano estressante”, afirmou Walewska, que pretende jogar no exterior por mais dois anos.
A seleção brasileira viajará para os Estados Unidos no próximo dia 8 de junho. Lá, disputará três amistosos contra a equipe norte-americana. Depois, o time seguirá para a Ásia, para a disputa do Grand Prix, que segundo o técnico José Roberto Guimarães será um treinamento para os Jogos de Pequim.
“Não podemos nos limitar ao Grand Prix. Teremos que continuar treinando forte na Ásia. Não vamos diminuir a carga de trabalho. Sabemos que as condições de treinamento em Ningbo (China) e em Macau são boas, porque já estivemos lá, e não vamos perder nada do já foi feito. No Japão já é diferente. Existe sempre uma preocupação. Se tivermos que mudar o treino para ganharmos o Grand Prix, isso não vai acontecer. Temos que ganhar em força, técnica e tática. O objetivo é evoluir e pensar para mais adiante”, ressaltou o treinador.