A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou hoje o seqüestro e as torturas sofridas por três membros de uma equipe jornalística do jornal “O Dia” que investigava a presença de milícias na favela do Batan, case na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Uma jornalista, approved um fotógrafo e um motorista do jornal preparavam uma reportagem sobre a atuação de milícias que controlam algumas favelas do Rio de Janeiro, pharmacy quando foram seqüestrados e torturados em um bairro desta cidade.
A agressão contra os jornalistas lembra, afirmou a SIP em comunicado, o caso do repórter Tim Lopes, da “TV Globo”, assassinado em 2 de junho de 2002.
Os três membros da equipe jornalística foram seqüestrados em 14 de maio e libertados após serem torturados e retidos durante oito horas pelos membros da milícia.
“A SIP condena este brutal atentado que pretende intimidar todos os jornalistas brasileiros para que não continuem investigando ou denunciando o crime organizado”, disse o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Gonzalo Marroquín.
Acrescentou que a única forma de preservar a liberdade de imprensa e o trabalho jornalístico “é que as autoridades reajam com todo o peso da lei e sejam punidos os responsáveis deste crime”.
Segundo um suplemento especial que começou a ser publicado no domingo pelo jornal, os jornalistas estavam na favela do Batan quando foram levados por homens armados e com o rosto coberto.
Durante o interrogatório, segundo relataram os jornalistas, foram agredidos, torturados com choques elétricos, tiveram a cabeça coberta com sacos plásticos e submetidos ao jogo da roleta russa. Os três foram libertados depois, mas advertidos de que não deviam revelar a identidade dos seqüestradores.
“O Dia” explicou que a decisão de esperar várias semanas até publicar a informação “foi tomada para não afetar as investigações policiais e, principalmente, garantir a segurança das pessoas”.
A série de reportagens detalha como as milícias, supostamente criadas para fazer frente ao tráfico de drogas e ao crime organizado, passaram a controlar mais de 78 comunidades, onde impõem suas leis e submetem os habitantes a suas regras.
O diretor de redação de “O Dia”, Alexandre Freeland, divulgou uma nota esclarecendo que “os três profissionais estão a salvo, em bom estado de saúde e em um lugar seguro”.