O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, look Mangabeira Unger, approved admitiu nesta quarta-feira que há estudos no governo para alterar os critérios do serviço militar obrigatório no País. Não está em discussão o fim de sua obrigatoriedade, uma vez que haveria consenso entre civis e militares que, “em um país desigual como o Brasil”, o serviço militar funciona como um “nivelador republicano”, pois as pessoas de menor poder aquisitivo vêem uma fonte de renda na função.
Entre as hipóteses em estudo, está a ampliação do rigor para tornar o serviço militar “efetivamente” obrigatório. Caso isso aconteça, a seleção será feita pelas próprias Forças Armadas com base em dois critérios: o do vigor físico e da capacidade intelectual, e o de representação de todas as classes e de todas as regiões do País, explicou o ministro, que participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores, assim como o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Como nesse caso a oferta de pessoal seria muito maior do que a efetiva necessidade das Forças Armadas, Unger disse que há possibilidade de se criar um serviço social obrigatório para aqueles que forem dispensados do novo modelo de serviço militar. “Nesse serviço social obrigatório todos receberiam um treinamento militar rudimentar e poderiam compor uma grande reserva, que seria usada em caso de necessidade”, disse.
Caças da FAB
Durante a audiência, Unger acrescentou que há possibilidade de o governo adiar novamente a “compra custosíssima” de caças (substitutos dos Mirage) – assunto que vem sendo discutido desde o primeiro governo FHC.
No lugar do projeto FX, os recursos seriam direcionados a quatro outras iniciativas: a modernização dos aviões da Força Aérea Brasileira, projetos de veículos não tripulados, colaboração com uma “potência estrangeira” no desenvolvimento de protótipo de caça de quinta geração e investimento “massivo” na formação de recursos humanos. Esta última opção é considerada a mais importante pelo ministro.
Amazônia
O ministro de Assuntos Estratégicos afirmou ainda que a Amazônia só pode ser defendida contra o desmatamento se houver uma estrutura social e econômica organizada na região. Para ele, há um “vínculo indissolúvel” entre os problemas da defesa, da preservação ambiental e do projeto econômico. “A Amazônia não é uma coleção de árvores, mas um grupo de pessoas que, se não tiver oportunidade econômica, vai desenvolver atividades desordenadas economicamente e acelerar o desmatamento”, afirmou. Segundo Unger, a Amazônia é a região de “maior foco” das preocupações atuais de segurança do governo.