Com carta branca do governador Agnelo Queiroz (PT), o novo secretário de Segurança Pública de Brasília, delegado federal Daniel Lorenz, começou uma ampla reestruturação no modelo de atuação da polícia da capital do País, que passa por grave crise de credibilidade. No novo formato, a Polícia Civil será comandada pela primeira vez por uma mulher, a delegada Mailine Alvarenga, e volta a se reportar ao secretário de Segurança, perdendo o vínculo direto com o gabinete do governador.
O paradoxo é que a Polícia Civil do DF é a mais equipada e bem paga do País, com salários equiparados aos da Polícia Federal (PF), podendo chegar a mais de R$ 20 mil mensais. O desgaste é atribuído ao excessivo de engajamento partidário dos policiais brasilienses – cinco deles exercendo mandatos de deputado federal e distrital – e de atropelos em investigações.
Para recolocar a polícia nos trilhos, Agnelo reforçou o papel profissional da área de segurança e afastou o poder de influência dos partidos na definição dos dirigentes das polícias Civil e Militar e até dos titulares de delegacias.
“Dei carta branca ao secretário para ele agir na linha da profissionalização”, afirmou o governador, após a posse, hoje, da nova diretora. “A ordem é despolitizar a forma de atuação partidária que vinha deteriorando e corroendo a estrutura das nossas instituições de Estado.”