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Brasil

São Paulo retorna ao grupo das 100 melhores cidades estudantis do mundo, aponta ranking QS

Única representante brasileira na lista, a capital paulista alcançou o 100º lugar, com 60,2 pontos, embora ainda apareça três posições abaixo do desempenho registrado em 2025

Redação Jornal de Brasília

21/07/2026 14h34

sao paulo

Foto: Shutterstock

LUCAS LEITE
FOLHAPRESS


A cidade de São Paulo subiu uma posição e voltou ao grupo das cem melhores cidades do mundo para estudantes, segundo o ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027, divulgado nesta terça-feira (21) pela QS (Quacquarelli Symonds).

Única representante brasileira na lista, a capital paulista alcançou o 100º lugar, com 60,2 pontos, embora ainda apareça três posições abaixo do desempenho registrado em 2025.

Seul, capital da Coreia do Sul, lidera o ranking pelo segundo ano consecutivo, seguida pelas cidades de Tóquio e Londres. Melbourne aparece na quarta posição, enquanto Munique e Sydney dividem o quinto lugar.

Entre as sete cidades latino-americanas classificadas, São Paulo ocupa a quarta colocação, atrás de Buenos Aires (35ª), Santiago (55ª) e Cidade do México (77ª). Monterrey (107ª), Bogotá (110ª) e Lima (148ª) completam a lista da região.

O ranking aponta que a capital paulista continua sendo a relação entre ensino superior e mercado de trabalho. A cidade ocupa a 42ª posição mundial no indicador de atividade entre empregadores, que mede o reconhecimento das universidades locais por empresas que contratam recém-formados.

Além disso, a cidade brasileira está na 46ª colocação em acessibilidade financeira. Nesse quesito, a QS considera fatores como custo de vida e mensalidades, que nas sete universidades paulistanas avaliadas ficam, em média, em torno de US$ 6.100 (R$ 33.458) por ano para estudantes internacionais.

Por outro lado, a cidade segue distante das primeiras posições nos indicadores ligados à experiência estudantil e à internacionalização. São Paulo aparece na 135ª posição em composição do corpo discente, que avalia a presença de estudantes estrangeiros, além da 131ª colocação em opinião dos alunos e da 132ª em atratividade. Apenas o indicador de diversidade estudantil registrou melhora em relação ao levantamento anterior, com avanço de três posições.

A maior queda ocorreu no indicador que avalia o desempenho das universidades instaladas na cidade. São Paulo perdeu 12 posições e passou a ocupar o 47º lugar nesse critério. Segundo a QS, os resultados refletem também o modelo brasileiro de internacionalização do ensino superior.

O relatório aponta que, em vez de priorizar o recrutamento de estudantes estrangeiros, o Brasil historicamente concentra esforços na cooperação científica e na diplomacia acadêmica, por meio de programas de intercâmbio e pesquisa.

A esse cenário se somam a exigência de proficiência em português, estratégias fragmentadas de divulgação internacional e a ausência de uma política nacional voltada à permanência de talentos estrangeiros após a graduação.

Para Ben Sowter, vice-presidente sênior da QS, o desempenho de São Paulo mostra que o principal desafio do Brasil está na forma como o país busca se inserir no cenário internacional, não na qualidade das universidades.

“O Brasil tem a economia mais forte da América Latina em nossa avaliação de transformação de talentos em crescimento, o sistema universitário mais representado da região e duas instituições entre as cem melhores do mundo em reputação acadêmica. São Paulo é uma das cidades mais acessíveis em nosso ranking, e os empregadores a colocam em 42º lugar no mundo”, afirma Sowter.

Na avaliação do especialista, a baixa presença de estudantes estrangeiros não acontece devido à qualidade das instituições brasileiras, mas da estratégia adotada pelo país para internacionalização.

“Isso não é um problema de qualidade, mas sim de estratégia. O Brasil utiliza a educação internacional como um instrumento de pesquisa e diplomacia, em vez de uma ferramenta de recrutamento, e os números mostram exatamente o que isso produz: parcerias sólidas, visibilidade fraca”, explica Sowter.

O executivo afirma ainda que as iniciativas recentes do governo caminham na direção correta, mas alerta que o fortalecimento da internacionalização dependerá também da competitividade das universidades brasileiras.

“O Plano Nacional de Pós-Graduação e o Capes-Global.edu são os passos certos”, afirma Sowter. “A questão mais difícil é se um sistema em que nenhuma universidade subiu no ranking este ano é capaz de atrair o talento que sua economia já está exigindo.”

O ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027 avaliou 150 cidades com base em seis critérios:

  • desempenho das universidades
  • atratividade
  • atividade entre empregadores
  • acessibilidade financeira
  • composição do corpo docente
  • opinião dos estudantes

    Para integrar o ranking, as cidades precisam ter mais de 250 mil habitantes e ao menos duas universidades classificadas no ranking QS de melhores universidades do mundo.

    RANKING QS MELHORES CIDADES ESTUDANTIS 2027


    CLASSIFICAÇÃO 2027 – CIDADE – PONTUAÇÃO

    1 – Seul – 100
    2 – Tóquio – 98
    3 – Londres – 97,3
    4 – Melbourne – 94,8
    5 – Munique – 94,1
    5 – Sydney – 94,1
    7 – Paris – 92,5
    8 – Berlim – 91,8
    9 – Viena – 90,9
    10 – Zurique – 90,6
    100 – São Paulo – 60,2

    PONTUAÇÃO DE SÃO PAULO POR CATEGORIA NO RANKING QS MELHORES CIDADES ESTUDANTIS 2027

    CATEGORIA – CLASSIFICAÇÃO EM 2027 – PONTUAÇÃO

    Atividade entre empregadores – 42 – 73,9
    Acessibilidade financeira – 46 – 60,6
    Rankings universitários – 47 – 53,2
    Opinião dos alunos – 131 – 29,9
    Atratividade – 132 – 39,4
    Composição do corpo discente – 135 – 40,1
    Posição geral – 100 – 60,2

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