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Brasil

Risco de extinção de jumentos no Brasil mobiliza Câmara contra abate

Cientistas e ativistas alertam para queda de 94% na população animal desde os anos 90, devido a abate ilegal para exportação de pele e carne.

Redação Jornal de Brasília

14/05/2026 19h16

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Reprodução

Cientistas e ativistas destacaram o risco de extinção dos jumentos no Brasil durante audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (14). Eles pediram a aprovação imediata do Projeto de Lei 2387/22, que proíbe o abate do animal para consumo, comércio ou exportação.

A população de jumentos no país caiu de 1,3 milhão no fim dos anos 90 para 78 mil em 2025, uma redução de 94%, segundo a The Donkey Sanctuary, instituição internacional dedicada ao tema. Há risco de extinção da espécie até 2030. A diminuição está associada ao abate para aproveitamento da pele, usada na produção de ejiao, remédio da medicina tradicional chinesa, e da carne como subproduto para ração animal.

O fluxo de exportação ocorre de forma ilegal no Brasil, conforme José Roberto Lima, presidente da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia. Animais são capturados no Nordeste, aglomerados em fazendas e levados a frigoríficos para abate e exportação, sem histórico de saúde ou rastreabilidade. Casos de anemia infecciosa equina e mormo foram constatados nesses animais.

Dados de exportações foram apresentados de frigoríficos em Amargosa, Simões Filho e Itapetinga, na Bahia, com a maior parte destinada à China e Hong Kong, além de remessas para a União Europeia.

Eduardo Santurtun, diretor das Américas da The Donkey Sanctuary, destacou que a União Africana proíbe o abate de jumentos em 55 países desde 2024 e apelou para que o Brasil lidere o movimento na América Latina.

O deputado Célio Studart (PSD-CE), organizador do debate, garantiu pressão para que a Comissão de Constituição e Justiça conclua a votação do projeto, já aprovado nas Comissões de Agricultura e de Meio Ambiente. Ele mencionou que, nos mais de dois anos de espera, cerca de 250 mil jumentos morreram.

A bióloga Patrícia Tatemoto, coordenadora de campanhas na The Donkey Sanctuary, explicou que jumentos não são viáveis para criação intensiva, mas podem ser usados como animais de estimação, na agricultura familiar e na preservação de ecossistemas como a Caatinga. Eles controlam espécies invasoras, consomem plantas não consumidas por nativos, encontram água, promovem dispersão de sementes e contribuem para a restauração ecológica, segundo publicações na revista Science.

Globalmente, existem 53 milhões de jumentos, dos quais 10% são abatidos para ejiao. O mercado desse remédio cresceu de US$ 3,8 bilhões em 2015 para US$ 7,2 bilhões em 2022. A demanda por peles passou de 1,2 milhão de unidades em 2013 para uma projeção de 6,8 milhões em 2027. Especialistas estudam alternativas éticas e sustentáveis para o colágeno.

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