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Brasil

Rio Grande do Norte reduz em 40% o abandono escolar na rede estadual com busca ativa de estudantes

Ações do programa Busca Ativa nas Comunidades Educadoras derrubaram os índices de evasão em 118 escolas públicas; no Ensino Médio, queda foi de quase dois terços

Redação Jornal de Brasília

22/07/2026 10h14

Foto: SEEC/ASSECOM

Uma forte articulação focada em trazer o estudante de volta para a sala de aula gerou resultados históricos na rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte. Dados consolidados de uma análise realizada em 118 escolas estaduais, distribuídas por 42 municípios potiguares, apontam que o índice de abandono escolar nessas instituições despencou.

A redução de cerca de 40% foi registrada com a implementação do programa Busca Ativa nas Comunidades Educadoras, desenvolvido pelo Instituto Cultiva em parceria com o Governo do Estado por meio da Secretaria de Educação (SEEC-RN). Foram 67 escolas estaduais participantes do programa no primeiro ciclo em 2024, o programa ampliou-se em 2025 e 2026 para mais 51 escolas, totalizando 118.

O levantamento utilizou como base os microdados oficiais do Sistema Integrado de Gestão da Educação (SIGEduc), aplicando a fórmula oficial de abandono adotada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o que garante auditoria e comparabilidade com o Censo Escolar nacional.

Foco no Ensino Médio e em áreas críticas – A melhora mais expressiva do programa concentrou-se no Ensino Médio, etapa historicamente mais vulnerável à evasão escolar. Entre os anos letivos fechados de 2024 e 2025, a taxa de abandono no Ensino Médio das escolas integradas ao programa caiu drasticamente de 12,9% para 4,5%.

O relatório técnico comprova que a política pública foi direcionada cirurgicamente às unidades que apresentavam maior risco social e educacional. Em 2024, no início do contrato, 33 escolas registravam taxas críticas de abandono, acima de 15%. Nas 18 escolas com os piores índices daquele ano, a média de abandono recuou impressionantes 78%, passando de 19,5% para apenas 4,3% em 2025.

Exemplos emblemáticos ilustram a mudança de cenário na Região Metropolitana de Natal:

● EE Professor José Fernandes Machado: O abandono despencou de 20,81% (2024) para 5,86% (2025).
● EE Professora Maria Queiroz: A taxa recuou de 18,76% (2024) para 6,33% (2025).
● ​EE Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo: Registrou queda de 14,44% (2024) para 4,45% (2025).

Combinação de Políticas Públicas Especialistas apontam que a trajetória de sucesso no RN é coerente com a combinação de estratégias locais de Busca Ativa e acolhimento territorial (como o Comunidades Educadoras) somadas a políticas federais de transferência de renda, a exemplo do programa Pé de Meia. Modelos semelhantes aplicados pelo Instituto Cultiva em outras redes municipais do país já haviam demonstrado reduções de até 90% na evasão logo nos primeiros meses de atuação.

Para 2026, os dados parciais do meio do ano letivo mostram uma tendência ainda menor (perto de 0,9%), explicada pelo período de apuração em curso, reforçando o cenário de estabilidade e permanência dos estudantes.

Avanços – A articuladora Janína Charcon, da 2ª Direc, que atua no programa, a iniciativa proporciona aos articuladores e às equipes Escolares vivenciar a experiências das famílias e dos estudantes, gerando um novo olhar direcionado aqueles que estão em situações de vulnerabilidade.

“O mais gratificante é retornar para as escolas após as visitas domiciliares às famílias e ouvir um coordenador dizendo que o estudante voltou ou que está mais participativo na sala de aula ou que os encaminhamentos estão acontecendo de forma mais rápida”, afirma.

“Tudo isso aponta que essas devolutivas que as equipes escolares e famílias nos dão são o retrato dos dados levantados pelo programa, o que demonstra que alguns degraus já foram galgados, fazendo todos os nossos esforços valerem a pena”, comemora.

Para o presidente do Instituto Cultiva, o sociólogo e cientista político Rudá Ricci, os resultados colhidos com o projeto no Rio Grande do Norte são oriundos de uma confluência de ações. “Não é a primeira vez que ele apresenta resultados positivos”.

Em Belo Horizonte (MG), lembra Rudá, a evasão escolar foi reduzida a menos de 1% da com apenas seis meses de execução da iniciativa. “O êxito acontece por ser um programa que articula ações junto à família do aluno e ao aluno. Não só da área educacional, mas assistencial e de saúde mental”, diz, lembrando que os resultados positivos também ocorreram em Teresina (PI), Araraquara, e Suzano, ambas em São Paulo.

“É um arranjo institucional baseado no cuidado. Cuidado com as famílias, com os alunos e uma articulação de proteção que é criado”, explica.

Segundo o representante do Cultiva, a SEEC-RN deu um suporte muito sólido ao projeto por meio de ações territorializadas. “Nos acostumamos no Brasil a ter governos com estados muito burocratizados. O Rio Grande do Norte decidiu continuar com programas, mas governar a partir da demanda. E isso obriga a ter escuta das famílias, o que é uma característica do Comunidades”

Funcionamento – O Busca Ativa nas Comunidades Educadoras funciona por meio de agentes, chamados articuladores, que vão até a casa das famílias, ouvi-las. As informações coletadas são inseridas num sistema que define o tipo de encaminhamento e prioridade que deve ser dada para a solução daquela situação.

“Esses articuladores têm uma sensibilidade e uma capacidade de trabalho que, sinceramente, o Rio Grande do Norte tem que ter atenção. Nem sempre se fala do servidor a partir daquilo que ele faz, do próprio envolvimento dele com o serviço público. E esse programa revela uma qualidade de servidor realmente fora do comum. Eu acho que essas são algumas das confluências que levam a esse resultado posi, tivo”, afirma Rudá.

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