Um remédio utilizado no tratamento do câncer, a tricostatina A, pode ajudar no controle das contrações e prevenir partos prematuros, segundo descobriu um estudo feito na Universidade de Newcastle (Reino Unido).
O remédio foi aplicado em 36 mulheres que foram submetidas a cesarianas. Em todas elas os médicos constataram que a tricostatina A aumentou os níveis da proteína que controla o relaxamento muscular.
Números indicam que os partos prematuros são a principal causa da mortalidade de crianças no mundo desenvolvido, situação ascendente nas últimas décadas.
Até agora, existiam outros tratamentos para atrasar o parto, mas a maior parte destes acabava gerando efeitos colaterais na mãe e no bebê.
Segundo os pesquisadores explicaram na revista “Cellular and Molecular Medicine”, foram recolhidas amostras de tecido das mulheres para comprovar os efeitos do remédio sobre as contrações naturais e as induzidas com oxitocina artificial.
O resultado foi a redução de 46% em média nas contrações dos tecidos das mulheres que tiveram parto natural e 54% no caso das que precisaram induzir as contrações.
Os especialistas constataram que a tricostatina A, utilizada para matar as células cancerígenas aumentava os níveis de uma sub-unidade da proteína quinase A (PKA), que tem implicação decisiva no relaxamento do útero durante os nove meses da gravidez.
Nick Europe-Finner, professor e diretor da pesquisa, afirmou, no entanto, que o remédio não será receitado aos pacientes porque prejudica até 10% dos genes celulares.
“Essa pesquisa nos mostra que vale a pena seguir investigando outros agentes mais específicos atuantes nas mesmas enzimas”, acrescentou.
A doutora Yolanda Harley, vice-diretora da pesquisa de Action Medical Research – organização que financiou o estudo – destacou que “o projeto descobriu novos caminhos moleculares para controlar as contrações uterinas”.
Para a professora Jane Normal, porta-voz do Colégio de Obstetrícia e Ginecologia do Reino Unido, lembrou que “atualmente não é possível tratar de maneira eficaz os partos prematuros, porque só temos remédios que atrasam os partos em 24 horas, um período de tempo insuficiente para garantir a vida do bebê”.
“Uma dos pontos interessantes desta pesquisa é o fato da descoberta ter sido de um novo tipo de remédio para o tratamento”, disse Normal.