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Relatório de operação é encontrado em casa de suspeito no Jacarezinho (RJ)

O Ministério Público desconfia de um suposto vazamento em operação considerada por especialistas a mais sangrenta da história do RJ

Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

Na quinta-feira (5), a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que apreendeu um relatório com detalhes da ação policial que vitimou 25 pessoas no morro do Jacarezinho, dentre elas um policial civil. O documento, timbrado com a marca do Ministério Público, foi localizado no interior da residência onde cinco suspeitos foram baleados. De acordo com as investigações, a casa funcionava como boca de fumo e esconderijo para os chefes do tráfico da comunidade. As informações foram confirmadas pelo Jornal de Brasília e publicada primeiramente pelo portal Metrópoles.

De acordo com a polícia, um possível vazamento de informações pode ter preparado os bandidos para a ação da polícia. A ação no Jacarezinho terminou com 25 mortos e, segundo o ex-secretário nacional de Segurança Pública, PM José Vicente da Silva Filho, o planejamento da missão não levou em consideração uma possível reação dos traficantes. Vale ressaltar ainda, que dois disparos atingiram o metrô do Rio de Janeiro e dois passageiros ficaram feridos.

Com o suposto vazamento das informações da operação, parte da ação perdeu o chamado elemento surpresa que proporcionou à bandidagem se antecipar à ação policial.

MP investiga abuso policial

Por meio de uma nota, o Ministério Público informou que vai apurar os relatos de abuso policial na operação desta quinta-feira (6). O órgão classificou a ação como “extrema e reconhecida gravidade” e que as investigações serão conduzidas com autonomia.

“Cabe ressaltar que, logo pela manhã, a atuação da Coordenação de Segurança Pública, do Grupo Temático Temporário e da Promotoria de Investigação Penal teve início a partir do conhecimento dos fatos pela divulgação na imprensa e redes sociais”, afirmou o MP

O MP disse ainda que vai apurar a real necessidade da operação no Jacarezinho.“A Polícia Civil apontou a extrema violência imposta pela organização criminosa como elemento ensejador da urgência e excepcionalidade para realização da operação, elencando a ‘prática reiterada do tráfico de drogas, inclusive com a prática de homicídios, com constantes violação aos direitos fundamentais de crianças e adolescentes e demais moradores que residem nessas comunidades’ como justificativas para a sua necessidade”, apontou o comunicado.

Direitos Humanos

A Human Rights Watch do Brasil pediu que o MP-RJ faça uma investigação minuciosa e independente para apurar o que de fato aconteceu na comunidade. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a polícia do Rio matou 453 pessoas, e ao menos quatro policiais morreram em confrontos, de acordo com o levantamento da organização.

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