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Brasil

Quenianos visam ampliar domínio na São Silvestre

Arquivo Geral

31/12/2009 0h00

Foram necessários apenas 17 anos para que o Quênia se tornasse a nação mais vencedora da Corrida Internacional de São Silvestre. Após o primeiro triunfo de um africano, Simon Chemwoyo em 1992, os representantes do país levaram nada menos que 11 taças para casa, um aproveitamento de quase 65%. Com longas pernas, muito tímidos e extremamente focados, os quenianos entram na edição 2009 da corrida visando mais uma vez acabar com a festa verde-amarela, vista nas ruas de São Paulo dez vezes desde que a prova tornou-se internacional, em 1945.


A 85ª edição da Corrida será disputada nesta quinta-feira pelas ruas da Capital paulista. A largada feminina será às 16h25 e a masculina, às 16h42. A prova terá transmissão ao vivo pela TV Gazeta e TV Globo.


A tropa de Nairobi é formada por cinco competidores: James Kipsang, Robert Cheruiyot, Nicholas Koech, Elias Chelimo e Stanley Biwott. Todos possuem um currículo respeitável, com destaque para Cheruiyot, dono de três taças da disputa (2002, 2004 e 2007). Candidato a sucessor de Paul Tergat, o maior vencedor da história da São Silvestre (cinco títulos), Robert chega a São Paulo com a moral de ter sido vice-campeão da última Maratona de Nova York.


Kipsang, por sua vez, defenderá o primeiro lugar conquistado no ano passado, ocasião em que confirmou presença faltando apenas cinco dias para a prova. Um resultado, em especial, o credencia como favorito: no mês de setembro, em Roterdã (Holanda), ele correu 15 quilômetros em 41min54s. Se conseguir resultado semelhante nas ruas paulistanas, ele quebrará com folga o recorde da São Silvestre, 43min12, obtido por Tergat em 1995. Koech, por sua vez, venceu a Volta da Pampulha, uma das principais competições do Brasil, enquanto Chelimo faturou a Maratona de São Paulo.


A tensão entre quenianos e brasileiros não se resume às pistas e ruas. Nos bastidores, os atletas dos dois países quase não se falam. As diferenças acentuaram-se ainda mais no último mês de janeiro, quando, a pedido de treinadores e atletas, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) criou uma norma limitando a participação de estrangeiros a três por país nas principais provas do calendário nacional – para a São Silvestre, os dirigentes abriram uma exceção, de maneira que o Quênia possui cinco atletas inscritos.


Com o declarado objetivo de acabar com o domínio africano na prova, a medida causou muita polêmica. “Um profissional deve saber ganhar e perder. Quem não está preparado, que vá fazer uma universidade. Ganhar assim é como ganhar no tapetão”, comentou à época o técnico Moacir Marconi, conhecido como Coquinho, um dos principais responsáveis pela difusão dos africanos nas competições nacionais. Durante o fórum da CBAt, no início de dezembro, técnicos brasileiros pediram uma restrição ainda maior, com apenas três estrangeiros por prova.


Os quenianos, porém, não são os únicos a ameaçar os brasileiros, que, tanto no masculino quanto no feminino, não sobem ao ponto mais alto do pódio desde 2006. Campeão mundial júnior dos 10.000 metros em Pequim há três anos, Ibrahim Jeilan tentará repetir o feito de Tesfaye Jifar em 2001 e ser o segundo etíope a vencer a São Silvestre. Já o tanzaniano Marco Joseph buscará melhorar a quarta colocação obtida em 2008.


Sem poder contar com Vanderlei Cordeiro de Lima, aposentado, e Marílson dos Santos, que abdicou da corrida a fim de se poupar para a temporada 2010, o Brasil deposita as suas principais esperanças em Franck Caldeira. Último brasileiro campeão da São Silvestre, o mineiro de Sete Lagoas fez uma preparação especial na altitude de Campos dos Jordão e deixou seu técnico, Alexandre Minardi, otimista.


“O Franck está super focado na São Silvestre”, avisou o treinador. “Com todo respeito aos africanos, pois sei que vai haver uma legião fortíssima deles na São Silvestre, se Deus quiser vai dar Brasil”, emendou. Entretanto, o atual campeão pan-americano da maratona prefere um discurso discreto, escaldado pelos abandonos das duas últimas edições devido a problemas físicos – fadiga em 2007 e dores estomacais em 2008. “A São Silvestre é uma prova complicada para se visar uma tática, pois as coisas mudam de acordo com o quilômetro. Já cansei de montar táticas para a São Silvestre, mas venci foi na vez que eu menos esperava”, jusitificou Caldeira.


Três vezes campeão do Circuito Brasileiro de corridas de rua, Giomar Pereira da Silva finalmente vai tentar desencantar na São Silvestre, já que nunca foi além de uma sexta colocação, obtida em 2006. Único brasileiro a completar a maratona olímpica de Pequim, Jose Teles também pode surpreender, assim como Damião Ancelmo de Souza, campeão da Meia Maratona de São Paulo. Já nomes como Luis Paulo da Silva Antunes, João da Bota, Raimundo Nonato Sousa Aguiar e Adriano Bastos tentarão surpreender ao melhor estilo Émerson Iser Bem, que espantou a todos ao superar Paul Tergat em 1997.

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