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Psiquiatria da USP cancela debate sobre transtorno mental de presidente e médicos veem censura

A decisão gerou revolta de alunos e médicos do departamento que interpretaram o ato como censura. A chefia do departamento nega

Foto: Divulgação

Cláudia Collucci
FolhaPress

O Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP cancelou uma reunião online nesta quinta (5), entre 10h30 e 12h, que debateria o afastamento de um presidente por transtorno mental. A decisão gerou revolta de alunos e médicos do departamento que interpretaram o ato como censura. A chefia do departamento nega.

O evento envolveria três psiquiatras da USP: Laís Pereira Silva, palestrante, e debatedores Gustavo Bonini Castellana e Daniel Martins Barros. Silva faria uma revisão histórica sobre o tema da saúde mental de presidentes da República. Os três não foram informados sobre os motivos do cancelamento.

Segundo a Folha de S.Paulo apurou com psiquiatras da USP, a chefia do departamento teria sido pressionada a cancelar a reunião porque a discussão poderia resvalar na saúde mental do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A justificativa é que o ato poderia gerar um processo ético no Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) porque é vetado aos médicos discutirem casos de pacientes publicamente.
Em um grupo de WhatsApp com 65 médicos contratados do Instituto de Psiquiatria da USP, a maioria considerou absurda a decisão do cancelamento.

Os psiquiatras dizem que essa reunião acontece há anos, sempre foi aberta, trata de temas gerais e nunca discutiu casos clínicos de pacientes. Dessa vez, afirmam, não seria diferente. Não é a primeira vez que essa discussão da saúde mental do presidente vem à tona. Em março deste ano, o psiquiatra forense Guido Palomba tratou do tema em artigo publicado na Folha.

À época, porém, Palomba foi criticado por colegas psiquiatras e que viriam nas colocações do médico um desserviço aos pacientes que sofrem de transtornos mentais. No grupo de médicos da USP foi discutida também a possibilidade de fazerem um manifesto contra o cancelamento, mas não houve consenso.

A Folha procurou o Departamento de Psiquiatria da USP, mas a assessoria de imprensa informou que os coordenadores não teriam disponibilidade para falar com a reportagem e enviaram a seguinte mensagem: “O cancelamento da reunião geral desta quinta-feira, 05/08/2021, foi uma decisão exclusiva da chefia do Departamento de Psiquiatria da FMUSP sem qualquer influência externa. A pauta será mantida e reagendada para uma data futura”.

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