Menu
Brasil

Procurador-geral determina reabertura de investigação sobre morte de senegalês

Caso de Ngange Mbaye havia sido arquivado em fevereiro após pedido do Ministério Público. A morte, ocorrida no Brás, gerou protestos e repercussão internacional.

Redação Jornal de Brasília

20/05/2026 16h41

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, determinou a reabertura da investigação sobre a morte do ambulante senegalês e refugiado Ngange Mbaye, morto por um policial militar após uma operação na região do Brás, no centro da capital paulista, em abril do ano passado.

O caso havia sido arquivado pela Justiça em fevereiro deste ano, após pedido do próprio Ministério Público. Na manifestação que pediu o arquivamento, o promotor Lucas de Mello Schaefer sustentou que o policial agiu em legítima defesa.

Mbaye foi atingido por um disparo no abdome durante uma abordagem policial enquanto tentava proteger suas mercadorias e também as de outro ambulante. Segundo boletim de ocorrência feito à época, Ngange teria resistido à apreensão das mercadorias e utilizado uma barra de ferro, que acabou atingindo um policial. Em seguida, o policial atirou contra Mbaye.

Vídeos que mostraram a abordagem policial e o momento do disparo ganharam as redes sociais e geraram forte repercussão. Houve protestos contra a violência policial e diversas manifestações, inclusive internacionais.

A ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, pediu explicações ao governo brasileiro sobre a morte do ambulante. Em comunicado à imprensa, afirmou que buscaria, junto à representação diplomática, meios para elucidar as circunstâncias da morte.

A ONG Horizon Sans Frontières, que acompanha casos de migração e violência, afirmou que a morte de Mbaye foi um novo crime cometido contra um cidadão senegalês no Brasil e chegou a apontar o país como uma zona de violência endêmica.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania solicitou à Corregedoria da Polícia Militar, ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a realização de uma apuração rigorosa dos fatos, com especial atenção às circunstâncias que levaram à morte de Ngange Mbaye, além da adoção de medidas que garantam a responsabilização dos envolvidos e a prevenção de futuras ocorrências semelhantes.

Entidades do movimento negro também denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

A morte de Mbaye ocorreu durante uma ação da Operação Delegada, convênio firmado entre a prefeitura paulistana e o governo de São Paulo que permite a atuação de policiais militares de folga na fiscalização do comércio ambulante.

Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado