Piacentini, que passou os últimos seis meses em prisão domiciliar em Santana do Livramento (RS), foi abordado em casa ontem pela Polícia Federal. Porém, como disse se sentir mal, os policiais o levaram para um hospital onde segue internado.
“Até o momento em que nos recebeu, parecia estar bem, mas em seguida se queixou de falta de ar e dores no peito”, disse o delegado Alessandro Maciel Lopes à “Agência Brasil”.
Piacentini, que se aposentou com o posto de major, tinha apelado na segunda-feira perante o Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar a extradição à Argentina.
Ele permanece desde terça-feira na Casa de Saúde de Santana do Livramento, onde, segundo a “Agência Brasil”, passará por exames para comprovar seu estado de saúde.
“O critério para escolha do hospital para onde ele será removido será de acordo com o tratamento necessário, a ser definido pela equipe médica”, explicou o delegado, que não descartou a possibilidade de o detido ser levado para um hospital de Porto Alegre.
De acordo com o delegado, no momento em que os policiais chegaram na casa, o militar “demonstrou reações físicas que só um médico poderia avaliar”.
Alessandro Maciel Lopes explicou que, como o acusado tem 70 anos e já passou por várias cirurgias, foi necessário muito cuidado para evitar maiores problemas.
Fontes judiciais argentinas tinham informado esta manhã da extradição do militar uruguaio à Argentina, onde se prevê que o juiz federal Norberto Oyarbide (Buenos Aires) o interrogue.
Detido no Brasil em 2007, Piacentini apresentou um recurso para interromper o processo de extradição, ao considerar que deve ser aplicada a lei de anistia do Brasil (1979,) pela qual foram perdoados os crimes cometidos pela ditadura.
O STF aprovou em agosto passado a extradição à Argentina, onde o ex-major é acusado do desaparecimento de dez pessoas, do sequestro de um bebê e de 32 casos de torturas.
A extradição também foi inicialmente solicitada pelo Uruguai, mas o pedido foi rejeitado pelo fato de os crimes terem sido cometidos na Argentina.
Em janeiro, os advogados do militar apresentaram dois recursos de habeas corpus, um para tentar anular o julgamento de extradição e outro para que ele fosse a Porto Alegre para uma operação cardíaca.
A defesa alega que o militar não foi acusado formalmente em nenhum tribunal da Argentina e que, na solicitação de extradição, foi omitido o compromisso de não aplicar a prisão perpétua, o que descumpriria os tratados entre ambos os países. No Brasil, a pena máxima é de 30 anos de prisão.