A Polícia Rodoviária Federal (PRF) lançou nesta terça (10) a 11ª edição da cartilha do Projeto Mapear, uma iniciativa da corporação para identificar pontos de risco no que diz respeito à exploração sexual de crianças e adolescentes (ESCA) nas rodovias brasileiras. A publicação traz números e considerações sobre o trabalho da PRF, em parceria com a ONG Childhood Brasil, e como a atuação nesta iniciativa ajuda a reduzir e mapear os bolsões de maior concentração de pessoas vulneráveis a ações criminosas.
De acordo com o documento, são considerados pontos de atenção os locais onde há intenso fluxo de carros e alta densidade de pessoas às margens de rodovias, como postos, estalagens e regiões de pernoite para quem trabalha na estrada, como motoristas. Foram localizados 13.758 dos chamados “pontos de interesse” – ou seja, regiões onde há maior vulnerabilidade aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Destes, 13,5% são considerados de alto risco, enquanto 3,29% são pontos críticos, que necessitam de maior atenção. O relatório aponta, ainda, para um risco de subnotificação e invisibilidade social.
As estatísticas se referem a 2025 e 2026 e representam uma queda em relação a anos anteriores, como o biênio 2023/2024, no qual foram apurados 14,5% pontos de alto risco e 4,56% pontos críticos. O Piauí é o estado com maior número de notificações, com 2.533; Minas Gerais vem em seguida, com 2.170; e Santa Catarina aparece em terceiro, com 928 pontos de atenção. No Distrito Federal, há seis pontos de atenção, com apenas um crítico. Ainda assim, a capital é uma das quatro Unidades Federadas que atestaram aumento nos pontos críticos em relação ao biênio anterior.
“O objetivo central do Mapear é agir antes que o crime aconteça. O foco é nos pontos críticos e de alto risco”, pontua Fernanda Souza, coordenadora-geral de Direitos Humanos da PRF. “No lado repressivo, [a PRF atua] onde há histórico e propensão maior para que aconteçam os casos. Tem tanto o eixo de prevenção quanto o de repressão”, conclui. O relatório também indica que 111 pessoas foram resgatadas entre 2024 e 2025, enquanto 20 crianças ou adolescentes estavam em situação de abuso.
Iniciada em 2003, a iniciativa ganhou o reforço da Childhood Brasil em 2009. Criada de forma global pela rainha Silvia da Suécia, a instituição se dedica a trabalhos de proteção à dignidade e à integridade física de crianças e adolescentes. Eva Dengler, diretora brasileira da ONG, indica que “há muitas notificações sobre abuso sexual, mas não havia sobre exploração sexual. A sociedade brasileira não enxerga a exploração sexual, há uma dificuldade em entender que crianças e adolescentes em uma rodovia podem ser vítimas. O Mapear fornece essas estatísticas”, explica.