Os presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) criaram hoje um grupo de trabalho que terá um prazo de 90 dias para definir o Conselho de Defesa da região, this anunciou hoje a presidente chilena, Michelle Bachelet.
“O grupo revisará a proposta brasileira, recolherá as dúvidas e as sugestões dos diferentes países e em 90 dias apresentará uma proposta definitiva”, explicou Bacehelet, na entrevista coletiva de encerramento da Cúpula da Unasul.
Bachelet, que assumiu hoje a Presidência da Unasul, disse que a iniciativa foi apresentada pelo Brasil, e que agora será discutida por delegados de todas as nações.
Por sua parte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil não esperava que a criação do Conselho fosse aprovada na reunião de hoje, e destacou que o projeto precisa ser discutido antes de ser aceito de forma pactuada.
“Cada vez que discutimos propostas que comprometem diversos países, são necessários meses para se chegar a um consenso, o que é natural”, afirmou.
“A aprovação (do grupo de trabalho) foi extremamente importante”, acrescentou Lula, ao ser perguntado se a iniciativa do país tinha fracassado.
“Fracasso teria sido se os presidentes não tivessem aprovado a criação do grupo de trabalho”, afirmou, por sua vez, Bachelet.
A criação do Conselho de Defesa sul-americano foi posta sobre a mesa hoje pelo presidente brasileiro, depois que o ministro da Defesa Nelson Jobim visitou recentemente todos os países da região, e até mesmo os Estados Unidos, para expor a idéia.
O Conselho, segundo concebe o Brasil, não representa uma aliança militar convencional, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas um fórum para promover o diálogo entre os ministérios de Defesa da região.
A proposta é criar um mecanismo de integração que permita discutir as realidades e necessidades de defesa dos países sul-americanos, reduzir os conflitos e desconfianças, e assentar as bases para a futura formulação de uma política comum nesta área.
Alguns dos presidentes, no entanto, admitiram que a iniciativa não contou com consenso total na Cúpula da Unasul, sendo a Colômbia o país que mais apresentou resistência à proposta.
O próprio Governo colombiano, em comunicado lido em Brasília, justificou suas ressalvas à proposta, “dadas as ameaças do terrorismo e as derivações conhecidas”.
“No entanto, a Colômbia não se opôs à criação de um grupo que continue estudando o tema”, indicou o comunicado.
De acordo com porta-vozes da delegação colombiana, a idéia de criar um grupo de trabalho para estudar o assunto foi apresentada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
Em declarações a jornalistas, Uribe pediu a compreensão e a solidariedade dos demais presidentes sul-americanos quanto à sua posição contrária ao Conselho.
“Estamos pedindo que se entenda que estamos lutando para defender nossa democracia”, disse o chefe de Estado colombiano, após assinalar que conhece as diferenças de critério sobre o tema existentes na região.
Antes da criação do grupo de trabalho, o governante do Equador, Rafael Correa, havia proposto que o Conselho fosse composto pelos países interessados na iniciativa, e que os que não se interessavam deveriam analisar depois se queriam juntar-se ou não ao organismo.
“Pela minha experiência adquirida nos meses à frente do Governo do Equador, a integração não pode ir à velocidade do mais lento, mas à velocidade dos que querem a integração”, afirmou.
“Temos que iniciar o processo com aqueles que estão apaixonados pela integração, pois os demais irão se somando depois”, acrescentou.