Afonso Ventania – Bikerrepórter
Não foi coincidência. O Dia Mundial da Bicicleta, celebrado em 3 de junho, foi escolhido para a entrega do Prêmio Bicicleta Brasil, iniciativa do Ministério das Cidades que reconhece boas práticas de incentivo ao uso da bicicleta no país. O evento aconteceu na noite desta terça-feira, na Arena Mané Garrincha.
Ao todo, foram 18 iniciativas premiadas, em seis categorias: “Segurança Viária”, “Sistemas de Informação e Redes”, “Mobilização e Incidência Política”, “Fomento à Cultura da Bicicleta”, “Projetos, Planos, Programas e Urbanização” e “Incentivo ao Uso da Bicicleta”. Além dos troféus, os premiados de algumas categorias receberam incentivo financeiro: o primeiro colocado recebeu R$ 50 mil, o segundo, R$ 20 mil, e o terceiro, R$ 5 mil.
A cerimônia também marcou o anúncio das novidades para a edição 2025 do prêmio onde foi anunciado o dobro de orçamento destinado à premiação das organizações civis. Com isso, os valores foram reajustados: o segundo colocado receberá R$ 30 mil e o terceiro, R$ 20 mil, enquanto o prêmio de R$ 50 mil para o primeiro lugar foi mantido.




Instituído pela Lei 13.724/2018, o Programa Bicicleta Brasil, coordenado pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, tem como objetivo promover o uso da bicicleta como meio de transporte eficiente, acessível e não poluente nas cidades brasileiras. O prêmio é uma das ações estratégicas do programa.
Segundo o secretário nacional de Mobilidade, Denis Andia, o objetivo do prêmio é conhecer e reconhecer todas as melhores iniciativas voltadas para incentivo do uso da bicicleta em todos os cantos do país. “Podemos aprender uns com os outros sobre boas práticas e experiências. O prêmio estimula mais pessoas e municípios a investirem em mobilidade ativa e poder integrar o uso da bicicleta na rotina das pessoas”.
O gestor público acrescentou que o Ministério das Cidades deve investir ainda mais em infraestrutura cicloviária. “O nosso papel é incentiva cada vez mais o uso da bicicleta e alocar recursos para investimento para que as cidades possam ter infraestrutura cicloviária com segura para usuário”.
Em sua primeira edição, o Prêmio Bicicleta Brasil contemplou projetos de diversos setores – incluindo o poder público, a iniciativa privada, instituições de ensino e organizações da sociedade civil. As iniciativas premiadas se destacaram por seu potencial de transformar a mobilidade urbana, seja por meio de soluções técnicas e científicas, seja por meio de expressões artísticas que reforçam a cultura da bicicleta.
Ruth Pereira da Costa, do coletivo ParáCiclo, venceu a categoria “Mobilização e Incidência Política” com o projeto Perifa na Pista, que beneficia as mulheres que pedalam nas periferias de Belém e de Ananindeua, no Pará. “O prêmio é o reconhecimento de todo o trabalho que a gente vem fazendo dentro dos territórios periféricos para incentivar e potencializar as mulheres a utilizarem a bicicleta como meio de transporte e um ponta-pé inicial para começarmos a pensar em políticas públicas voltadas para as periferias”, diz.
Redução da velocidade
Para Ana Carboni, conselheira da União de Ciclistas do Brasil, entidade que foi premiada com o projeto Vias Seguras, o prêmio destaca a bicicleta como modal de transporte e é importante para fomentar outras ações como a redução dos limites de velocidade em vias urbanas. O projeto visa alterar o Código de Trânsito Brasileiro para reduzir limites de velocidade em vias urbanas e melhorar a fiscalização. “Há dois anos aguardamos a tramitação por uma velocidade média mais justa e eficaz. O prêmio é um grande reconhecimento à nossa luta”, afirma.
Carboni, que também é coordenadora-geral da ONG Rodas da Paz que atua no Distrito Federal, criticou o limite de velocidade da capital federal. “Hoje temos uma velocidade que é absolutamente incompatível com perímetro urbano e precisamos pensar em uma mobilidade que seja focada nas pessoas e na vida”.
Ela também destacou que a malha cicloviária do DF, apesar de ser a segunda maior do país, não é conectada e é centralizada no Plano Piloto. “As outras regiões administrativas ficam aquém tanto na quantidade quanto na qualidade e também não temos bicicletários seguros e perto dos terminais de transporte o que prejudica a possibilidade do interligação dos modais”, conclui.