24/07/2026 09h56
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Prefeitura do Rio de Janeiro interditou nesta quinta-feira (23) dois depósitos ilegais em Copacabana, zona sul da cidade, em uma nova fase da operação batizada de Tolerância Zero, que tem provocado protestos de camelôs.
Segundo a prefeitura, que agiu em parceria com o Governo do Estado, a interdição tem o objetivo de desarticular uma suposta cadeia logística criminosa que abastece o comércio ilegal na zona sul, nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, uma faixa de 8 km de extensão.
Foram apreendidas nove toneladas de equipamentos e 55 quilos de alimentos impróprios para o consumo e em más condições sanitárias. Os depósitos são localizados na avenida Nossa Senhora de Copacabana e na rua Sá Ferreira.
Os dois estabelecimentos não tinham alvarás válidos. De acordo com os fiscais, o material apreendido foi avaliado em R$ 8.800.
Além dos equipamentos e dos alimentos, carrocinhas usadas por ambulantes foram recolhidas. Elas estavam na ladeira Saint Roman.
Os produtos apreendidos foram levados para o depósito público municipal de Bonsucesso, na zona norte, e poderão ser recuperados pelos proprietários mediante apresentação da nota fiscal.
Em nota, a prefeitura afirmou que as ações foram baseadas em relatórios de inteligência da Seop (Secretaria Municipal de Ordem Pública), com informações compartilhadas com a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) e GSI (Gabinete de Segurança Institucional), órgão do governo estadual.
Há uma semana a prefeitura apreendeu 11 carrocinhas e cinco triciclos usados por vendedores ambulantes considerados irregulares, no primeiro dia de aperto da fiscalização da orla.
No anúncio do programa Tolerância Zero, ocorrido no início do mês, a gestão do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) disse ter identificado que facções criminosas exploram vendedores irregulares, cobrando taxas entre R$ 200 e R$ 300 para o uso do espaço no calçadão das praias.
O MPF (Ministério Público Federal) pediu à Justiça a suspensão do programa e cobrou do poder público um planejamento para a gestão dos espaços na orla da zona sul.
Para o MPF, o combate ao crime organizado e à exploração iliegal do espaço público não autoriza medidas que atinjam indistintamente os trabalhadores que exercem atividade lícita.