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Policiais envolvidos em chacina na Vila Cruzeiro prestam depoimento e têm armas apreendidas

De acordo com a instituição, as armas desses agentes foram apreendidas e periciadas. Testemunhas também foram ouvidas

Por FolhaPress 27/05/2022 7h25
Foto: Mauro Pimentel/ AFP

Marcela Lemos
Rio de Janeiro, RJ

Policiais que participaram operação policial na Vila Cruzeiro, que resultou em uma chacina com 23 mortos, prestaram depoimento à Delegacia de Homicídios da capital. No entanto, a Polícia Civil não informou quantos agentes foram ouvidos. A ação policial aconteceu na última terça-feira (24), na zona norte do Rio de Janeiro.

De acordo com a instituição, as armas desses agentes foram apreendidas e periciadas. Testemunhas também foram ouvidas. A previsão é que outras pessoas sejam chamadas a depor ao longo da próxima semana.

“As investigações estão em andamento” e “seguem para apurar todas as circunstâncias que envolveram o fato”, informou a Polícia Civil através de nota.

Entre as vítimas estão Gabrielle Cunha –moradora da Chatuba, favela vizinha à Vila Cruzeiro, que foi baleada dentro de casa, e um ex-militar da Marinha, Douglas Costa Donato, morto após deixar uma festa onde estava na companhia de amigos de infância.

Segundo a PM, a operação tinha como objetivo prender chefes do CV (Comando Vermelho), responsável pelo tráfico de drogas na localidade. No grupo, segundo a corporação, havia também suspeitos vindos de outros estados que estariam escondidos na favela.

Ainda de acordo com a PM, a operação estava sendo planejada há meses, mas foi deflagrada de modo emergencial para impedir o deslocamento de um grupo de 50 traficantes para a Rocinha, comunidade da zona sul.

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APÓS OPERAÇÃO, PM CULPA STF

Ainda com a ação em andamento na Vila Cruzeiro, a Polícia Militar atribuiu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a responsabilidade pelo aumento de traficantes de outros estados em comunidades do Rio em referência à limitação de operações policiais no Rio de Janeiro.

“A gente começa a perceber essa movimentação, essa tendência de ligação com o Rio de Janeiro a partir da decisão do STF. Isso vem se acentuando nos últimos meses e essa tendência, esses esconderijos nas nossas comunidades são fruto da decisão do STF. A gente está estudando isso, mas provavelmente é fruto dessa decisão que limitou as ações das forças policiais do estado na comunidade”, avaliou o coronel Luiz Henrique Marinho.

Dos 22 mortos que já foram identificados, cinco eram de outros estados: três do Pará, um da Bahia e um da Amazônia.

Após declaração, o presidente da Corte, o ministro Luiz Fux, disse que está esperando satisfações da PM. Já o ministro Gilmar Mendes lembrou que foi graças a outras decisões do STF que o Rio de Janeiro não sofreu um colapso financeiro.

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PREJUÍZO PARA O TRÁFICO

Após a ação da favela, a Polícia Militar estimou um prejuízo de R$ 5,2 milhões ao CV (Comando Vermelho).

De acordo com a PM, foram apreendidos 14 fuzis automáticos usados em guerras convencionais -todos seriam de fabricação estrangeira, com capacidade de disparar até 800 tiros em apenas um minuto.

O alcance dessas armas de guerra chegaria a 1,5 km, com precisão no tiro de 500 metros.

“Isso explica, por exemplo, porque um desses disparos, efetuados do alto da Vila Cruzeiro, atingiu mortalmente a cabeleireira Gabrielle [Ferreira da Cunha, 41] na comunidade da Chatuba. Explica também por que disparos efetuados do mesmo complexo de comunidades atingiram na semana passada um helicóptero comercial, que voa a cerca de 300 metros de altura em relação ao solo”, informou a corporação.

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