TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
A Polícia Civil de São Paulo deve pedir autorização à Justiça para incorporar à sua frota um helicóptero, avaliado em cerca de R$ 25 milhões, apreendido durante uma operação nesta quinta-feira (28). A aeronave foi encontrada em um hangar em Osasco, na região metropolitana.
Segundo dados do Registro Aeronáutico Brasileiro, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o helicóptero tem como proprietária uma empresa especializada em aviação com sede em Osasco, e como operador autorizado a Center Lopes Distribuidora de Materiais, Terceirização e Locação Ltda., empresa que opera no ramo de aluguel de veículos.
O registro da Anac também informa que a aeronave está em alienação fiduciária, operação na qual o devedor transfere a propriedade resolúvel do bem ao credor como garantia de pagamento.
A Center Lopes tem como sócios familiares de Eduardo Moreno Lopes, um dos principais investigados na Operação Falsa Las Vegas, que resultou na apreensão do helicóptero. A empresa foi investigada na Falso Mercúrio, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, estelionato e outros tipos de crime.
A Folha de S.Paulo procurou tanto a empresa quanto advogados do próprio Eduardo ao longo desta terça, por e-mail e telefonemas entre 7h e 15h, pedindo posicionamentos sobre as suspeitas levantadas na investigação, mas não recebeu resposta.
Em dezembro, para a publicação de uma reportagem sobre as investigações da Falso Mercúrio, a empresa afirmou por meio de nota que “é uma empresa com atuação regular, contínua e transparente no mercado, mantendo inúmeros contratos voltados à distribuição e ao comércio de diversos produtos, bem como à prestação de serviços, inclusive junto ao Poder Público, sempre em estrita conformidade com a legislação vigente”.
A reportagem mostrou, à época, que a Center Lopes firmou contratos que somam ao menos R$ 15,5 milhões com a Prefeitura de Barueri desde 2022.
O helicóptero, modelo EC 130 T2 da Airbus, foi fabricada em 2022, pesa 2,5 toneladas e tem capacidade para seis passageiros além do piloto.
Eduardo Lopes é suspeito de ser operador financeiro de um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a Polícia Civil, teria beneficiado inclusive integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Essa suspeita vem de documentos encontrados em celulares apreendidos, que mostram transferências bancárias entre empresas de investigados que supostamente coletavam dinheiro do tráfico e de casas de apostas ilegais e empresas que Lopes teria usado para fazer transferências bancárias.
Uma das empresas conectadas a ele, a ASX Participações e Tecnologia, tem um sócio ligado a sites de apostas ilegais.
“As autoridades pedirão à Justiça autorização para utilizar a aeronave em ações policiais”, diz nota publicada na tarde desta quinta pela SSP (Secretaria de Segurança Pública).
Duas pessoas foram presas durante a operação, de um total de cinco procurados. A operação, realizada por policiais civis e pelo Gaepp (Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial) do Ministério Público, também apreendeu cerca de R$ 500 mil em espécie, cinco carros de luxo e 76 imóveis.
Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 5,2 bilhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados.