FOLHAPRESS
Dois policiais militares do Rio de Janeiro foram presos nesta quinta-feira (27) sob suspeita de fornecer e intermediar compra de armas e munição a milicianos e membros da facção TCP (Terceiro Comando Puro).
Na mesma operação, a Promotoria do Rio de Janeiro denunciou outras 18 pessoas sob acusação de formação de uma aliança entre a milícia e o TCP no Complexo da Maré.
Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4° Batalhão, e Leo Carlos Araújo Santos, do 2° batalhão, foram presos pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado). A Corregedoria da PM acompanhou. Os policiais vão ser encaminhados ao presídio da PM, em Niterói.
Em nota, a PM disse que “não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes, adotando as medidas administrativas e disciplinares cabíveis e punindo com rigor os envolvidos” quando a irregularidade é provada.
A corporação afirmou ainda que os agentes vão ser submetidos a procedimentos internos, a fim de avaliar a permanência dos acusados na corporação. A reportagem não conseguiu identificar as defesas.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os policiais estavam envolvidos no comércio de fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm, os mais utilizados por facções e milícias, além de pistolas e munições.
A investigação do Gaeco apontou que a milícia de Curicica, na zona sudoeste, aliou-se a integrantes do TCP no Complexo da Maré. O conjunto de favelas é formado por 16 comunidades; parte delas é dominada pelo Comando Vermelho, outra pelo TCP.
A Promotoria identificou que houve um pacto de não agressão entre milícia e TCP e outro acordo de cooperação mútua, com apoio eventual no fornecimento de armas quando uma das duas organizações entrasse em confronto com o CV.
A denúncia aponta que a milícia de Curicica é liderada por André Costa Barros, conhecido como Boto ou Redbull. Ele está preso em presídio federal no Mato Grosso do Sul desde 2021.
Osmar Silva de Souza, apelidado de Messi, seria outro líder. Milicianos da região praticam extorsão e comandam roubo de veículos e cargas.
A reportagem procurou dois advogados vinculados a Barros e Souza em processos criminais anteriores. Um deles confirmou que faz a defesa de alguns dos denunciados, mas não mais respondeu quando perguntado se haveria posicionamento.
Outro advogado não atendeu ligações, nem respondeu às mensagens.
Investigações policiais indicam que Boto seria o responsável por liderar tentativas de expansão da milícia em bairros das zonas oeste e sudoeste, como Praça Seca, Recreio e Jacarepaguá.
Os nomes dos demais denunciados não foram divulgados. Os acusados foram denunciados pelos crimes de constituição de milícia privada, comércio ilegal de armas e munição de uso restrito e associação para o tráfico.
PMs do Rio são presos sob suspeita de fornecer armas a milícia e ao TCP
Promotoria denunciou outras 18 pessoas sob acusação de formação de uma aliança entre a milícia e o TCP no Complexo da Maré
Foto: Divulgação/PMRJ