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Brasil

PF mira indicado ao Senado por Flávio Bolsonaro em investigação sobre lavagem em postos no RJ

PF apura suspeitas de contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações

Redação Jornal de Brasília

07/07/2026 15h02

márcio canella

Foto: Reprodução

ITALO NOGUEIRA, JOSÉ MARQUES E BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS


A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (7) mandados de busca e apreensão contra Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) indicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro.

Outro alvo da operação é o delegado Marcus Amim, ex-chefe de Polícia Civil da gestão Cláudio Castro (PL).

A ação é a sexta fase da Operação Unha e Carne, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e tem o objetivo de desarticular suspeitas sobre uma organização criminosa que usaria postos de combustíveis para lavar dinheiro, com participação de agentes públicos.

A Folha de S.Paulo enviou mensagem para Canella na manhã desta terça, mas não obteve retorno. A reportagem busca a defesa de Canella e Amim.

São cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

A PF afirma que as suspeitas envolvem movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A investigação apura suspeitas de contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, Canella nomeou, em sua gestão, dois condenados por práticas de milícia como secretários municipais de Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense.

Amim foi nomeado em outubro de 2023 como chefe de Polícia Civil sob pressão de deputados estaduais sobre o ex-governador Cláudio Castro. Ele substituiu o delegado José Renato Torres, que estava havia um mês no cargo e resistiu a indicações feitas pelo membros da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Ele foi exonerado em setembro de 2024, dando lugar ao delegado Felipe Curi. Amim ganhou logo em seguida o cargo de coordenador de segurança na Alerj, à época sob comando de Rodrigo Bacellar (PL), atualmente preso.

Amim também tinha relações políticas com Canella. O ex-prefeito, quando exercia mandato de deputado estadual, o condecorou com a medalha Tiradentes, principal comenda da Alerj.

Também é alvo da investigação o policial civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Ele é apontado como dono de uma rede de dezenas de postos de gasolina por meio de laranjas, segundo o ex-secretário municipal do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires (PSD).

A PF também cumpriu mandados de busca contra Juracy Alves Prudêncio, o Jura, ex-cabo da PM condenado sob acusação de comandar a milícia “bonde do Jura”.

Jura participou da campanha de Canella em 2018. Sua mulher, Giane Prudêncio, esteve nomeada no gabinete do ex-deputado na Alerj, e também participou da campanha em 2022.

De acordo com a Promotoria, Jura comandou um grupo paramilitar armado que invadia comunidades da região exigindo taxa de proteção de comerciantes e moradores. Após sua prisão, uma manifestação na rodovia Presidente Dutra foi feita pedindo sua liberdade.

Após oito anos preso, período no qual era considerado de altíssima periculosidade, Jura conseguiu progressão de pena para o regime semiaberto. Em junho de 2017, teve deferido o benefício de trabalho extramuros na Prefeitura de Belford Roxo, tendo que pernoitar na cadeia.

O município era, na ocasião, comandado por Waguinho (Republicanos), ex-aliado de Canella.

UNHA E CARNE

A operação Unha e Carne investiga as relações de políticos com o crime organizado no Rio de Janeiro. O inquérito foi aberto por determinação do STF como um desdobramento da chamada ADPF das Favelas.

As investigações ja levaram à prisão dos ex-deputados Bacellar, TH Joias e Thiago Rangel.

Na semana passada, um desdobramento das investigações também apontaram o envolvimento de políticos com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.

A PF investiga as circunstâncias em que os nomes de Castro, de deputados federais e estaduais foram incluídos em listas apreendidas com o contraventor. Nos documentos, eles estão associados a valores que a polícia suspeita ser caixa dois de campanha eleitoral.

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