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Brasil

PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por crimes financeiros

A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB

Redação Jornal de Brasília

28/10/2026 22h10

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Foto: YouTube/CNN Brasil Economia

Brasília e São Paulo, 28 – A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre irregularidades do Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na operação de venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal. Além deles, outras 13 pessoas envolvidas na transação, incluindo ex-diretores dos dois bancos, também foram indiciadas.

A PF destacou que, desse valor total, houve fraude em pelo menos R$ 12 bilhões de ativos repassados pelo Master ao BRB, principalmente por causa da produção de carteiras falsas de crédito consignado. As defesas dos indicados não haviam se manifestado até a noite de ontem.

Nos depoimentos que prestaram à PF na semana passada, Vorcaro e Paulo Henrique afirmaram que a operação entre os bancos não causou prejuízos e seria benéfica para ambos.

Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, por induzir a erro investidor de operação financeira, fraudar fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Esses crimes somados têm penas que vão de 12 a 41 anos. A situação de Vorcaro ainda deve ser agravada porque ele é apontado como líder da organização criminosa. Já Paulo Henrique foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

“A versão apresentada (por Daniel Vorcaro) em oitiva, entretanto, contrasta frontalmente com os elementos expostos neste relatório, os quais demonstram que as operações bilionárias foram estruturadas e executadas sem a observância de procedimentos elementares de diligência, validação de lastros, governança, conformidade e gestão de riscos exigidos pelo Sistema Financeiro Nacional”, escreveu a PF.

O relatório final da PF apontou ainda que a cessão de créditos do Master ao BRB foi maior do que o calculado inicialmente e que continuou ocorrendo mesmo depois que o Banco Central barrou a venda da instituição de Vorcaro ao banco público do DF.

A PF diz que o Master cedeu ao BRB um total de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito – que incluíam operações de crédito consignado, empréstimo pessoal, crédito rotativo, parcelamento de faturas e outros – entre julho de 2024 e outubro de 2025, tendo continuado um mês depois que o BC barrou as operações.

O relatório diz que o BRB driblou mecanismos de governança e aprovou investimentos apresentados sem lastro, com documentação preparada em planilhas de Excel com dados suspeitos de falsificação, como revelou anteriormente o Estadão.

Além disso, pelo relatório da PF, Paulo Henrique Costa manteve tratativas com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) enquanto praticava fraudes com Vocaro. Ibaneis não foi alvo da PF e foi apenas citado no material.

INICIAL

Esse é o primeiro indiciamento de Vorcaro na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado para apurar um conjunto de suspeitas de crimes relacionados ao seu banco. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), e também indicia por crimes financeiros os diretores do Master e do BRB que tiveram participação nas operações.

Entre eles, estão Augusto Lima (ex-sócio do Master), Ângelo Ribeiro (ex-diretor financeiro), Luiz Antônio Bull (ex-diretor de compliance), Alberto Félix de Oliveira (ex-superintendente financeiro) e também o advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para Vorcaro.

O documento deve ser encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para avaliar se há provas suficientes para apresentar denúncia contra os envolvidos, o primeiro passo para que Vorcaro se torne réu pelos crimes dos quais é acusado.

O banqueiro ficou preso por 11 dias em novembro do ano passado e, depois que a investigação subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ser detido em março deste ano. Já Paulo Henrique Costa está preso desde abril.

A PF apontou que Vorcaro teve ação direta na venda das carteiras de crédito consignado do Master que não tinham lastro e haviam sido falsificadas por meio de uma empresa com ligações ao próprio banco, a Tirreno. No relatório, a PF também descreve a responsabilidade dos diretores dos dois bancos nesses fatos e afirma que eles tiveram participação nas operações.

As investigações da Compliance Zero começaram com foco nas vendas do Master ao BRB, mas ampliaram o foco após a obtenção de um grande volume de provas no telefone celular do banqueiro. Também estão em estágio avançado o inquérito sobre a cooptação de ex-servidores do Banco Central e a investigação de obstrução de Justiça e ameaças a adversários.

Estadão Conteúdo 

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