A diretoria do Banco de Brasília (BRB) foi alertada internamente em agosto de 2024 sobre problemas em cerca de 90% da carteira de crédito adquirida do Banco Master. A informação consta em relatório parcial da Polícia Federal tornado público nesta quarta-feira (28/10).
Apesar do alerta sobre falhas, inconsistências e possíveis irregularidades nos ativos, as operações entre o BRB e o Master continuaram. A investigação aponta que orientações internas não foram para interromper as aquisições, mas para exigir que o Master encontrasse novos créditos.
O documento da PF indica que a presidência do BRB pressionou pela aprovação de novas compras de carteiras do Master. Os critérios de avaliação dos créditos teriam sido alterados, aumentando o volume de ativos que poderiam ser aceitos pelo banco público.
A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no caso. Entre eles estão o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro e o ex-sócio dele Augusto Lima. Também foram alvo do indiciamento seis ex-sócios ou gestores do Master, dois sócios da consultoria Tirreno e sete ex-gestores do BRB.
Eles são acusados dos crimes de gestão fraudulenta e organização criminosa. Todos estão na linha de investigação da Operação Compliance Zero, que apura os negócios bilionários entre as instituições.
Em nota, a defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou receber com “surpresa” o indiciamento. Segundo os advogados, Costa “não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras” e foi quem detectou irregularidades e comunicou o Banco Central.