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Brasil

Pesquisa revela que dormir pouco afeta saúde

Arquivo Geral

23/08/2010 8h12

“De ontem para hoje, não dormi”, conta o estudante Filipe de Abreu, de 16 anos. Assim como mais da metade dos adolescentes brasileiros, ele dorme menos de oito horas por noite. “Normalmente fico no computador só até meia-noite, mas quando tenho trabalho de escola para entregar, vou até mais tarde”, conta. Na manhã seguinte, o despertador toca às 6h e o jeito é levantar.

 

A situação não é melhor entre crianças de 4 a 12 anos. Segundo dados do Projeto Atenção Brasil, cerca de 30% dormem menos que o recomendado para a idade. A pesquisa, realizada pelo Instituto Glia, ouviu pais de quase 6 mil jovens entre 4 e 19 anos em 17 Estados.

 

As causas da falta de sono não foram investigadas, mas especialistas ouvidos pela reportagem são unânimes em apontar o mau hábito como culpado. “Não tenho dúvida de que isso é reflexo da permissividade dos pais em relação aos hábitos de sono e ao acesso às mídia eletrônicas”, afirma o neurologista infantil Marco Antonio Arruda, diretor do Instituto Glia.

 

O estudo também apontou que jovens que dormem mais de oito horas por noite têm o dobro de chance de ter bom desempenho escolar e bons índices de saúde mental. Arruda explica que o conceito de saúde mental adotado vai além de não ter uma doença. “É um estado de bem-estar, no qual a pessoa está apta a superar as dificuldades da vida, estudar e trabalhar de forma produtiva”. 

 

Pesquisas epidemiológicas em todo o mundo mostram que as crianças estão dormindo menos do que deveriam. O problema piora na adolescência, quando há um atraso natural no relógio biológico. O impacto das alterações hormonais na rotina de sono vai depender do estilo de vida, diz a neuropediatra Márcia Pradella, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Para uma criança que ia dormir às 21h, é aceitável que passe a dormir às 22h ou 23h. Mas se ela estava acostumada a dormir tarde e passa a dormir mais tarde, acordar para ir à escola vira um problema”.

 

Consequências

Edilma de Abreu, mãe de Filipe, conta que desde bebê ele gosta de dormir tarde. “Sempre falo para ele que isso não é bom para a saúde, mas ele não me ouve”. Edilma está certa. A falta de sono diminui a imunidade, prejudica a memória, a capacidade de concentração e pode até deixar as crianças agitadas, levando a um quadro que pode ser confundido com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Quando a privação se torna crônica, podem ocorrer alterações no metabolismo e atraso no crescimento. 

 

É durante a adolescência que o corpo passa pelo maior estirão de crescimento. Essa é, portanto, a fase em que o hormônio do crescimento – liberado durante o sono – se faz mais necessário. “Antes se pensava que dormir oito horas por noite seria suficiente, mas pesquisas recentes mostraram que o tempo ideal para um adolescente é, em média, nove horas e meia”, conta Márcia.

 

Leia mais na edição desta segunda-feira (23) do Jornal de Brasília.

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