Andreia Salles, Jorge Eduardo Antunes, Paulo Gusmão e Soraya Kabarite
Especial para o Jornal de Brasília
Paulo Barros fez mais um carnaval histórico na noite deste domingo (3). À frente da Unidos do Viradouro depois de mais de uma década longe da agremiação de Niterói, ele fez valer o refrão do bom samba-enredo e o “brilho no olhar voltou” para a escola, campeã com outro mito dos desfiles, o inesquecível Joãosinho Trinta.
No enredo “ViraViradouro” Paulo Barros revisitou o mago Merlin, Alice no País das Maravilhas, A Bela e a Fera, Piratas do Caribe, vampiros e múmias, entre dezenas de figuras ligadas ao mistério, magia, bruxaria, princesas, fantasmas, fadas e gnomos, personagens marcantes do imaginário literário e cinematográfico. Até a chuva parou para assistir a Viradouro e Paulo Barros.
Ele usou, novamente, suas alegorias como esculturas vivas, levou cascatas para a Avenida e fez transformações da Fera em príncipe. Trouxe também o Motoqueiro Fantasma para a avenida, com moto e tudo. Soube, enfim, superar qualquer eventual falta de recursos, que todos reclamavam. Seus efeitos visuais em um carnaval marcado pela crise econômica seguiram o padrão de luxo e inovação. Se talvez não tivesse tanto dinheiro como outrora, usou e abusou da criatividade. Valeu até misturar veludo com plástico nas fantasias – e ficou ótimo.
O excelente samba-enredo deu o ritmo para um desfile empolgante, como as epopeias que ele levou à Sapucaí em carnavais à frente da Unidos da Tijuca e da Portela. Ainda no segundo desfile da primeira noite, a Viradouro e Paulo Barros passaram dando certeza de que estarão, ao menos, no Desfile das Campeãs. E talvez celebrando um título que será a volta da escola aos bons tempos.