O início da temporada de seleções 2007 foi um tanto atípico para o Brasil. Além de não participar da disputa do Montreux Volley Masters, na Suíça, a equipe verde-amarela mandou jogadoras juvenis para a Copa Pan-americana. Tudo por conta dos apertados calendários dos clubes e da preparação para os Jogos Pan-americanos. Desta forma, o time chega para a disputa do Grand Prix, que começa nesta sexta, com apenas um torneio disputado.
Um dos principais objetivos do técnico José Roberto Guimarães em 2007, o Pan marcou o reencontro da seleção feminina de vôlei com a torcida em uma competição importante, o que não ocorria desde o Mundial de 1994. Porém, assim como ocorreu há 13 anos, as meninas do Brasil acabaram caindo diante de Cuba na decisão e fcaram com a segunda colocação.
Passada a decepção – visível no semblante das jogadoras durante a entrega de medalhas no Rio de Janeiro –, a seleção brasileira feminina de vôlei retoma a rotina de partidas no exterior, não raro em horários que obrigam os fãs do esporte a acordarem de madrugada no Brasil: o time estréia no Grand Prix contra a Holanda, às 13h desta sexta-feira na cidade italiana de Verona.
O objetivo maior agora é bem claro e se cumprido com sucesso terá o fantástico poder de apagar os tropeços dos anos anteriores em momentos decisivos dos campeonatos internacionais: a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, título que consagraria uma geração de atletas considerada pelo técnico Bernardinho como a de maior potencial na história do Brasil, além de dar a segunda medalha de ouro para o técnico José Roberto Guimarães, campeão com o time masculino em Barcelona-1992.
“Temos que continuar lutando nas próximas competições, pois sempre tivemos um objetivo: os Jogos Olímpicos. Isso não mudou”, reforça a oposto Sheilla, considerada uma das melhores atacantes do mundo. Disputado desde 1993, o Grand Prix tem o Brasil como maior vencedor, com seis títulos, conquistados em 1994, 1996, 1998, 2004, 2005 e 2006.
Na busca pelo sétimo título na competição, o Brasil não vai contar com duas de suas jogadoras mais experientes: a levantadora Fofão e a meio-de-rede Walewska. Campeãs italianas pelo Perugia, as duas quase não tiveram dias de folga este ano. Por conta disso, Zé Roberto resolveu dar um descanso a elas ao mesmo tempo em que aproveita para testar novas jogadoras antes da Copa do Mundo, em novembro. Trata-se do torneio mais importante da temporada, já que garante vaga para as Olimpíadas de Pequim.
Foi justamente com esta justificativa que o técnico promoveu o corte de Mari, jogadora que iniciou o Pan como titular, mas acabou perdendo a vaga de oposto para Sheilla ao longo da competição. “No Grand Prix, testaremos jogadoras novas. A Mari não foi bem no Pan. Ela é uma jogadora que tem potencial e talento e as portas da seleção sempre estarão abertas. Mas ela precisará correr atrás disso novamente”, afirmou Zé.
O treinador brasileiro também não poderá contar com Jaqueline, flagrada em um exame antidoping e que ainda estará cumprindo suspensão preventiva de 60 dias. “O grupo não conta com a Fofão, a Walewska e a Jaqueline, mas é jovem e tem tudo para iniciar bem nesta primeira das quatro semanas de competição. A expectativa é boa”, relativiza a líbero Fabi.
O Grand Prix deve marcar o reencontro das atletas nacionais com as suas principais rivais no mundo, casos de Rússia e China, além de Cuba. Além da Hoanda, na primeira semana, as brasileiras ainda encaram Taiwan e a Itália. Como é de praxe no Grand Prix, no fim de semana seguinte, as atletas jogam em outra sede, no caso a cidade japonesa de Tóquio, onde enfrentam o time da casa e novamente Holanda e Taiwan. Na semana seguinte, o grupo vai para Taiwan enfrentar pela terceira vez as donas da casa, além de Itália e República Dominicana.
As finais da competição estão programadas para os dias entre 22 e 26 de agosto, na cidade chinesa de Ningbo. Estarão habilitadas a disputar o título os cinco melhores times da fase classificatória (apesar de não ser sistema todos contra todos, a classificação da primeira fase é uma só), além da sede China. De acordo com a FIVB, o campeão do torneio será definido pelo sistema “todos contra todos”.