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Brasil

Pantanal registra mais de 900% de aumento nos focos de queimadas em 2024

O valor acumulado neste ano é o segundo maior dos últimos 15 anos, atrás apenas de 2020, quando foram registrados 2.135 focos

Redação Jornal de Brasília

06/06/2024 9h35

Foto: MT-Secom

JORGE ABREU
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Depois de uma atípica temporada intensa de fogo em novembro passado, o pantanal volta a ficar sob alerta. De janeiro ao início de junho de 2024, os focos de incêndio no bioma aumentaram 974% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados são do Programa de BDQueimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Atualizada diariamente, a plataforma mostra que, até esta terça-feira (4), o bioma somava 978 focos, enquanto em 2023 o número era de 91.

O valor acumulado neste ano é o segundo maior dos últimos 15 anos, atrás apenas de 2020, quando foram registrados 2.135 focos. Naquele ano, cerca de 30% do bioma foi consumido pelas chamas.
Cyntia Santos, analista de conservação do WWF Brasil, explica que o clima se mantém quente na maior parte do dia no pantanal e as chuvas abaixo das médias históricas desde o fim do ano passado colaboram uma situação preocupante.

“O alerta é enorme, principalmente com relação a quantidade de focos que tomam uma proporção muito grande. O pantanal está muito seco e a temperatura durante o dia é alta. Se não forem contidos, esses fatores juntos contribuem para ameaça de fogo e riscos de incêndios”, disse.

De acordo com a analista, os dados oficiais, também monitorados por entidades ambientalistas, são fundamentais para o planejamento de ações de combate ao fogo e para as estratégias das brigadas voluntárias treinadas, que atuam nas áreas de maior incidência nos estados do Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul.

Entre os municípios mais afetados, segundo o levantamento, estão Aquidauana, Miranda, Corumbá e Porto Murtinho, no MS, e Poconé, Barão de Melgaço, Cáceres e Itiquira, no MT. As áreas fronteiriças com a Bolívia também estão entre as ameaçadas.

“Em algumas regiões, o fogo tem acontecido de forma bastante intensa, como na Serra do Amolar, que teve uma grande queimada. Nossos parceiros e instituições que também atuam localmente tiveram que acionar o governo, inclusive para ajudar a conter o fogo”, relatou.

Apesar da alta, Cyntia Santos afirma que a situação atual no pantanal ainda não é comparável à registrada no final do ano passado. A estiagem e a onda de calor de novembro levaram os estados de MT e MS a decretar situação de emergência, após o registro de mais de 2.000 focos de incêndio em menos de duas semanas.

“A gente já está percebendo que a ameaça está tão grande quanto do ano passado. A intensidade da seca e a baixa quantidade de água disponível no território, já está caminhando para níveis mais ameaçadores, de fogos de extensão mais larga”, frisou.

O Serviço Geológico Brasileiro reportou que o rio Paraguai, o principal da região, apresenta os menores níveis históricos. A estação de medição de Porto Murtinho (MS), conforme os dados, manteve uma altura abaixo de 250 cm desde o início do ano, enquanto o normal costuma ser entre 250 e 550 cm no período.

Além desses problemas, a analista do WWF Brasil afirma que as ações humanas estão entre as principais causas para o agravamento da situação, como o desmatamento, que deixa o solo mais vulnerável, e o próprio princípio de incêndio, causado de forma acidental ou intencionalmente criminosa.

DESMATE QUÍMICO

Em abril, o pecuarista Claudecy Oliveira Lemes foi multado em quase R$ 2,8 bilhões pelo “desmate químico” de uma área de mais de 80 mil hectares no pantanal -equivalente ao tamanho da cidade de Campinas (SP). As propriedades rurais dele ficam em Barão de Melgaço, no Mato Grosso, um dos municípios mais devastados do bioma.

O fazendeiro teria usado agrotóxicos, entre eles o 2,4-D, um componente do chamado “agente laranja” usado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Ele é investigado para saber se usou dinheiro de empréstimo do Branco do Brasil, por meio a uma brecha na lei, para a prática criminosa.

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