Há um ano e 11 meses meses, o cineasta Pedro Diniz, 54 anos, vive um drama na vida real. Desde o dia 29 de dezembro de 2012 não vê o filho. De acordo com ele, que também é professor de cinema em Goiânia, a mãe aproveitou uma brecha da lei de guarda alternada para sumir com o garoto, hoje com 9 anos. Desesperado, ele procura ajuda no Congresso, nas redes sociais e na polícia.
Para atrair a atenção à sua causa, tem usado adereços de mulheres no Facebook, como brincos e anéis chamativos. Ele acredita que, assim, vai “chamar a atenção das autoridades judiciais”. “Estou vestido de mulher porque elas são mais aceitas no Judiciário”, explica.
Favorecimento
O cineasta acusa a morosidade judiciária e o favorecimento feminino de serem os maiores responsáveis pela perda do filho. “Até seis anos, tinha a guarda compartilhada. Depois, passamos a uma guarda alternada. Ou seja, ele ficava um ano comigo e outro com a mãe”, afirma. Mãe e pai vinham se entendendo, até que, em 28 de dezembro de 2012, a mãe resolveu aparecer no condomínio onde o filho estava com o pai, na capital goiana, para visitá-lo, quatro dias antes de ficar com ele por um ano. “Fui apanhar uma bicicleta que arrumei para o filho de um vizinho e ela sumiu com o garoto”, lembra.
Mesmo assim, em fevereiro deste ano, a mãe ganhou a guarda unilateral do garoto. Mas, pela lei, teria de deixar o pai visitá-lo a cada 15 dias e passarem as férias do colégio juntos, o que não vem ocorrendo desde então.
Ameaça de suspender pensão
A peregrinação de Pedro Diniz ganhou uma campanha em redes sociais. A página denominada Novo Homem já recebeu 4 mil acessos. Ontem, ele esteve no Congresso para acompanhar a tramitação do Projeto de Lei Complementar 117 de 2013, que propõe alterações nas guardas compartilhadas.
Faz o mesmo que um grupo de outros homens, denominado Pais em Camisa de Força, que vivem drama semelhante e pressionam pela mudança na legislação.
Pedro avisa que vai intensificar as ações para ter o direito de ver o filho de novo. “Já avisei ao juiz que vou deixar de pagar a pensão alimentícia”, disse.
A intenção, segundo ele, é fazer com que a mãe entre em contato com a Justiça para requerer o pagamento e, assim, revelar o local de moradia atual. “Quem sabe, dessa forma, eu consiga saber onde ela está com meu filho”, afirma, com a olhos lacrimejados. “Mesmo sabendo que posso ser preso”, emenda. O último endereço que soube do garoto foi em São Paulo. “Mas ela se mudou”, lamenta.
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