O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, pediu hoje ao Senado para que apoie a entrada da Venezuela no Mercosul, mas que exija ao mesmo tempo “garantias democráticas” ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.
“Uma coisa é o Governo e outra é o Estado, que é permanente”, disse Ledezma, ferrenho opositor de Chávez, na Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Junto com o Paraguai, o Brasil é o único país do Mercosul que ainda não aprovou no Legislativo a entrada da Venezuela no bloco.
Segundo o prefeito de Caracas, Chávez deve oferecer ao Mercosul garantias de respeito em tudo o que for “referente à democracia” e pediu ao Senado brasileiro para que forme uma comissão que visite a Venezuela a fim de verificar “todas as denúncias” sobre “presos políticos, o direito à propriedade e o direito à livre expressão”.
Ledezma afirmou que as garantias democráticas não são respeitadas na Venezuela e insistiu em que Chávez “será mais perigoso para a paz e a democracia na região na medida em que estiver mais isolado”, motivo pelo qual pediu apoio à entrada plena de seu país no bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O presidente da Federação de Câmaras de Comércio Venezuela-Brasil, José Francisco Marcondes, defendeu o ingresso venezuelano no Mercosul e disse que um veto representaria “uma rejeição a todo o projeto de integração regional”.
Para Marcondes, a integração “não pode ser vista a partir de um ângulo político, pois isso cria uma polarização desnecessária” que prejudica o clima para os negócios.
A Comissão de Relações Exteriores do Senado decidirá na próxima quinta-feira se aprova ou não o protocolo de adesão da Venezuela.
Em caso de aprovação, o documento será enviado ao plenário da casa para uma última e definitiva votação.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da matéria na comissão, demonstrou ser contrário à entrada da Venezuela devido ao “talante autoritário” de Chávez, a quem acusa de liderar “um processo de desmontagem das liberdades democráticas” alheio ao espírito do Mercosul.
O Governo, que defende a entrada da Venezuela no bloco, calcula que pelo menos dez dos 19 membros da comissão aprovarão o protocolo.
No entanto, tal confiança na aprovação não se estende ao Senado como um todo, onde diversos líderes já manifestaram sua rejeição em aceitar a Venezuela no Mercosul.
Um deles é o próprio presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o qual disse hoje que se opõe à entrada da Venezuela no bloco ao argumentar que “o atual Governo desse país tomou decisões que representam um desmoronamento e um desvio da democracia”.
O protocolo de adesão da Venezuela já foi aprovado pelos Governos dos quatro países-membros em junho de 2006 e referendado pelos Legislativos de Argentina e Uruguai, enquanto no Paraguai foi retirado temporariamente da pauta parlamentar devido à falta de um ambiente propício para sua aprovação.